Famílias investiram 753 milhões de euros em Certificados de Aforro em agosto

O aumento foi menos intenso do que aquele que se registou em julho, mas foi o suficiente para o 'stock' atingir 44,6 mil milhões de euros, pelo que renovou máximos históricos.
Carlos Carneiro/Global Imagens
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O stock de investimento em Certificados de Aforro atingiu um recorde em agosto, quando foram captados 753 milhões de euros.

De acordo com os dados divulgados pelo Banco de Portugal (BdP), o número de subscrições líquidas superou, pelo segundo mês consecutivo, os 750 milhões de euros, mas ficou aquém daquele que se registou em julho (767,7 milhões). Na origem está a subida da Euribor, ao mesmo tempo que se teme que a inflação se mantenha alta a médio prazo, na zona euro.

Os Certificados de Aforro dizem respeito à compra de dívida direta do Estado português. Têm associada uma taxa variável, os juros vencem trimestralmente (o resgate do dinheiro é possível após um período de três meses) e há prémios para quem mantenha o investimento. Desde junho de 2023, está em vigor a Série F, que correspondeu, naquele mês, a uma taxa de juro anual de 2,474% brutos (sujeitos a retenção na fonte de 28,0%, para quem tem residência fiscal no Continente; 19,6% nas ilhas). A taxa líquida foi de 1,781%, de acordo com os dados da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP).

O stock total de dinheiro das famílias alocado àquele mecanismo de poupança atingiu 44,6 mil milhões de euros. Significa isto que se registaram aumentos face ao valor registado em julho (43,9 mil milhões de euros) e no mês homólogo (38,5 mil milhões de euros).

O valor acumulado vem em crescendo desde o terceiro trimestre de 2024. É que, em outubro daquele ano, o stock inverteu a tendência que vinha a ser registada, ao atingir 34,1 mil milhões de euros. Desde então, não mais parou de crescer.

De referir que, já em setembro, a taxa bruta subiu e tornou aquela alocação de capital tão atrativa como a lei permite. Isto porque quem subscrever Certificados de Aforro antes do fim do mês, verá a rentabilidade fixada em 2,50%, que é precisamente a taxa máxima prevista (sujeita a taxa de retenção de 28,0%) e corresponde à taxa líquida de 1,8%.

Significa isto que, após mais um recorde em volume de poupanças alocado à dívida do Estado português, seguiu-se nova subida, para o máximo previsto no mecanismo.

Inflação elevada gera riscos

A compra de Certificados de Aforro coincide com a subida generalizada dos preços, que se deverá estender no tempo, resultando na desvalorização do capital.

A escalada de preços continua a ter grande impacto na vida das famílias portuguesas. Atingiu os 3,3% em agosto na economia portuguesa e 3,2% na zona euro, em termos homólogos. Em ambos os casos, supera a meta definida pelos bancos centrais (2%), o que significa que o dinheiro está a perder valor e, assim, as famílias perdem poder de compra.

O problema não é apenas a escalada de preços, mas sobretudo as expetativas da generalidade dos economistas de que a inflação elevada seja uma tendência para se manter no tempo, desde logo em 2027. A subida é particularmente notória na energia, mas estende-se aos diversos setores.

Neste contexto, os depósitos à ordem perdem atratividade junto das famílias. Em muitos casos, estas recorrem a Certificados de Aforro e outras modalidades de poupança ou investimento para colocarem o capital a gerar rendimento. Naturalmente, algumas têm maior risco que outras e, por consequência, também a rentabilidade é variável.

Certificados do Tesouro recuam

Ao contrário do que aconteceu no âmbito dos Certificados de Aforro, os Certificados do Tesouro estão a perder seguidores. O mês de agosto voltou a trazer números negativos, com uma perda de 91 milhões de euros. Posto isto, o volume de saídas atingiu 1,3 mil milhões de euros nos primeiros oito meses do ano.

De resto, esta é uma tendência que já vem de trás. Registam-se recuos desde novembro de 2021 e nem mesmo o lançamento da Série 5 (CTS5), com um prazo mais longo e uma taxa de juro crescente a partir do segundo ano, foi suficiente para recuperar a procura.

No conjunto dos certificados do Estado (Aforro e Tesouro), contabilizam-se um total de 51 mil milhões de euros investidos pelas famílias.

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