Galp anuncia lucros de 812 mihões de euros no 1.º semestre e compra de 15 parques eólicos em Espanha

O lucro da Galp aumentou 44% no primeiro semestre face ao período homólogo, impulsionado pelo aumento da produção de petróleo no Brasil e da cotação do Brent.
Galp anuncia lucros de 812 mihões de euros no 1.º semestre e compra de 15 parques eólicos em Espanha
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O lucro da Galp aumentou 44%, para 812 milhões de euros, no primeiro semestre face ao período homólogo, impulsionado pelo aumento da produção de petróleo no Brasil e da cotação do Brent, comunicou a petrolífera nesta segunda-feira, 27 de julho.

Já no segundo trimestre do ano, o resultado líquido ajustado (RCA) da Galp subiu 45% para 540 milhões de euros.

Num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a petrolífera refere que “na base destes resultados esteve o aumento de 17% da produção de petróleo e gás natural face ao semestre homólogo, explicado pela entrada em operação e ‘ramp-up’ do campo de Bacalhau, no Brasil, e pelo aumento de 28% do preço médio do Brent, para os 92,3 dólares por barril”.

O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortizações (EBITDA) aumentou 52% entre abril e junho e 47% no acumulado do semestre, respetivamente para 1.272 e 2.216 milhões de euros, sendo “mais de 90% gerado fora de Portugal”.

“Estes resultados refletem a qualidade dos nossos ativos e a capacidade de execução das nossas equipas, mesmo num contexto de elevada volatilidade. Mantemos uma forte disciplina financeira, enquanto continuamos a investir em oportunidades que reforçam a competitividade e o potencial de crescimento da Galp”, afirma a co-presidente executiva da Galp, Maria João Carioca, citada no comunicado.

O EBITDA do ‘Upstream’ (exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural), tradicionalmente o principal motor dos resultados da Galp, aumentou mais de 70% quer em termos semestrais quer trimestrais, representando 62,5% do EBITDA total até 30 de junho e mais de metade do EBITDA do segundo trimestre.

O segundo grande contributo para os resultados veio do ‘Industrial e Midstream’ (I&M), que inclui as atividades de aprovisionamento e ‘trading’ e as de refinação.

A Galp destaca que estas últimas “beneficiaram de diferenciais historicamente elevados” nos mercados internacionais entre a cotação das matérias-primas (como o Brent) e a dos produtos refinados (como o gasóleo, gasolina ou jet fuel’), com a margem de refinação a situar-se nos 15,8 dólares por barril no primeiro semestre.

Em termos homólogos, o EBITDA do I&M aumentou 22% no semestre, para 656 milhões de euros, e 43% no trimestre, para 458 milhões, “em boa parte devido a um aumento do valor das exportações, cujo contributo para o EBITDA mais do que duplicou”.

A atividade de ‘trading’ de gás natural e produtos petrolíferos também contribuiu para os bons resultados do I&M, tanto no segundo trimestre como no semestre, que contou já com o contributo integral das cargas de GNL contratadas à Venture Global.

A Galp indica ainda que os resultados da área comercial “beneficiaram de uma recuperação das vendas de gás natural e de eletricidade, e do segmento B2B na Península Ibérica”, tendo o respetivo EBITDA aumentado 21% para 197 milhões de euros nos primeiros seis meses e 12% em termos trimestrais, para 113 milhões.

Já as renováveis registaram subidas em todos os indicadores operacionais, “em grande parte devido à aquisição, em abril, de uma carteira de 350 Megawatts (MW) de ativos eólicos em Espanha, à entrada em operação de 230 MW de capacidade solar em junho e à adição de 55 MW de capacidade de armazenagem através de baterias".

Aquisição de eólicos

A empresa também anunciou a compra de 15 parques eólicos em Espanha por 420 milhões de euros, com capacidade instalada total de 361 Megawatts (MW) e produção anual estimada de 800 Gigawatts (GWh) de eletricidade.

Num comunicado enviado à CMVM, a petrolífera destaca que este investimento reforça a sua posição no mercado ibérico de energias renováveis, aumentando a capacidade renovável instalada da empresa para 2,7 GW e a geração de eletricidade anual para 5 Terawhatts/hora (TWh) e elevando o peso da energia eólica para cerca de 30% do seu ‘mix’ de geração renovável.

Segundo detalha, os ativos foram adquiridos à Acciona Energía e a sua data média de entrada em operação comercial é 2005, estando “totalmente operacionais”.

Galp reforça dividendo e revê em alta previsão de resultados de 2026

A Galp vai propor um aumento de 10% no dividendo de 2026, elevando-o para 0,70 euros, e reviu em alta as previsões de EBITDA e de ‘cash flow’ operacional para este ano, para 4.000 e 3.000 milhões de euros, respetivamente.

“O Conselho de Administração vai propor um aumento de 10% no dividendo por ação para 2026. Isto eleva o valor para 70 cêntimos”, afirmou hoje a co-presidente executiva (co-CEO) da petrolífera, Maria João Carioca, durante a ‘conference call’ com analistas, acrescentando que o primeiro pagamento intercalar ocorrerá em agosto.

Adicionalmente, a co-CEO anunciou uma revisão em alta do resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortizações (EBITDA) e do ‘cash flow’ operacional previstos para o exercício em curso, que passam a ser de 4.000 e 3.000 milhões de euros, respetivamente, contra os anteriormente previstos 2.600 e 2.000 milhões de euros.

Segundo salientou, estas decisões “refletem não só os sólidos resultados alcançados até ao momento em 2026, mas também a confiança do Conselho de Administração na resiliência e na qualidade da carteira da Galp ao longo do ciclo”.

A contribuir para este otimismo está a evolução do preço do barril de petróleo Brent, que na projeção inicial da Galp para este ano, prévia ao início do conflito no Médio Oriente, era de 60 dólares, mas se fixa atualmente nos 80 dólares e, para o segundo semestre, se situa nos 70 dólares por barril.

Adicionalmente, a Galp aponta agora para uma produção petrolífera mais forte, estimada em cerca de 130.000 barris por dia, e para uma “contribuição robusta e contínua do segmento de refinação”, com as respetivas margens a aumentarem para os 13 dólares por barril, muito acima das anteriores previsões de 5,5 dólares por barril.

Relativamente ao acordo de fusão dos negócios de refinação e comercialização entre a Galp e a Moeve, que se prevê que esteja concluído no segundo semestre deste ano, a petrolífera portuguesa indicou apenas que “as discussões avançam de forma construtiva”, existindo “um forte alinhamento” com os acionistas da empresa espanhola.

“É uma transação de criação de valor a longo termo, que no curto prazo não vai ser afetada pelas margens de refinação”, detalhou o co-CEO da Galp João Marques da Silva, acrescentando que “as discussões estão a progredir bem”, mas é uma operação “complexa”.

“Ao reunir as nossas atividades a jusante, acreditamos que o negócio combinado estará melhor posicionado para gerar valor, aumentar a escala, reforçar a competitividade e consolidar a posição estratégica”, disse, enfatizando que o foco da empresa é garantir que “qualquer transação seja a mais adequada para a Galp e os seus acionistas, proporcionando valor sustentável a longo prazo”.

Relativamente ao futuro, Maria João Carioca salientou que “a expansão do projeto Bacalhau [no Brasil] está em curso” e que “a parceria com a TotalEnergies na Namíbia está a avançar”, estando tudo “a correr conforme o previsto para dar início à próxima campanha de exploração e avaliação em Mopane durante o quarto trimestre”.

No que diz respeito às renováveis, Marques da Silva destacou a aquisição de uma nova carteira de 15 parques eólicos em Espanha, hoje anunciada, como um “passo final na reestruturação do negócio de energias renováveis” da Galp, “transformando-o numa plataforma mais forte e de maior qualidade”.

“A carteira de 361 megawatts, já em pleno funcionamento, vem complementar a aquisição que anunciámos em abril. Isto eleva a nossa capacidade total em energias renováveis para 2,7 gigawatts, com a energia eólica a representar agora cerca de 30% do ‘mix’, e aumenta o nosso EBITDA ‘pro forma’ das energias renováveis para cerca de 110 milhões [de euros] em 2026”, enfatizou.

“Com esta aquisição, a nossa carteira de energias renováveis ganha maior escala, um melhor equilíbrio entre as tecnologias e maior resiliência. Proporciona-nos também mais flexibilidade e opções à medida que avaliamos futuras oportunidades de parceria e estruturas alternativas de propriedade”, acrescentou.

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