Governo diz que fornecimento de combustíveis para aviação está garantido até ao pico do verão

Ministra do Ambiente diz que “a situação da Península Ibérica é bem mais confortável do que no resto da Europa e que muitas zonas do mundo”.
Governo diz que fornecimento de combustíveis para aviação está garantido até ao pico do verão
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O fornecimento de combustíveis para a aviação está garantido pela Galp “até ao pico do verão”, disse esta sexta-feira, 17 de abril, a ministra da Energia e do Ambiente.

“A Galp, na reunião que tivemos, diz-nos que aguenta perfeitamente até ao pico do verão”, ou seja “princípio, meio de agosto”, afirmou Maria da Graça Carvalho, no final da sessão de apresentação do Programa de Apoio à Redução da Carga Combustível através do Pastoreio Extensivo, em Porto de Mós, no distrito de Leiria. 

Segundo a ministra, a informação surge de “indicações do CEO da Galp de há dois ou três dias”. 

“Eles têm uma grande produção, a matéria-prima que recebem vem essencialmente do Atlântico e, do ponto de vista da Galp, temos ainda para vários meses”, acrescentou.

Das reuniões do Governo com a Galp e também com a Repsol saiu o entendimento de que “a situação da Península Ibérica é bem mais confortável do que no resto da Europa e que muitas zonas do mundo”. 

A tranquilidade da ministra da Energia e do Ambiente estende-se à eletricidade, por haver "muito renovável - mais de 80%” e, relativamente a “tudo o que é diesel e jet [fuel], na Península Ibérica, há oito ou nove refinarias, uma aqui e o resto em Espanha”. 

“Estamos numa posição mais confortável, mas não estamos fora dos impactos. Os aviões que chegam a Portugal não são só os espanhóis e os portugueses. Se existir uma escassez a nível mundial, claro que nos afeta, pela economia e porque as outras companhias têm restrições e não chegarão aqui”, reconheceu.

Maria da Graça Carvalho lembrou que “o mundo é global, para o bem e para o mal” e, por isso, apesar de Portugal e a Península Ibérica estar “relativamente melhor do que os outros, mas [estamos] sempre sujeitos” à possibilidade de “acontecer uma crise muito grande”:

“Se a Lufthansa for afetada, e os aviões franceses, do Reino Unido e do resto do mundo forem afetados, claro que vamos sofrer”, porque “estamos todos interligados”. 

Contudo, “a aposta que fizemos nas energias renováveis, na produção cá de gases renováveis, e agora no SAF [combustível sustentável de aviação] - que ainda não produzimos em grande quantidade, mas que é uma aposta nossa - está a dar frutos e mostra que é o caminho certo, também de segurança do ponto de vista do abastecimento, quando há uma crise”, salientou.

Não se antecipam disrupções nos próximos meses

Mais tarde, a Galp assegurou à Lusa que não se antecipam disrupções do fornecimento de combustível para a aviação, apesar das perturbações no abastecimento criadas pela guerra do Irão, estando já a adotar medidas para reforçar a segurança de abastecimento e armazenagem.

Fonte oficial da Galp explicou que "Portugal tem uma dependência parcial do exterior para fazer face às suas necessidades deste combustível, sendo que uma parte importante das cargas tem origem na região do Golfo Pérsico”.

Porém, apesar do encerramento do estreito de Ormuz nas últimas semanas, “neste momento, não se antecipam disrupções nos próximos meses, período em que o consumo está coberto pela produção própria da Galp, disponibilidades de 'stock' e importações”.

Além disso, a mesma fonte reforça que a petrolífera mantém sob monitorização constante a disponibilidade de inventários deste combustível, e avança que “está a adotar medidas operacionais que reforcem a segurança de abastecimento de Jet [combustível para aviação] e a avaliar soluções que contribuam para aumento de armazenagem”.

A Comissão Europeia garantiu esta sexta-feira que não existe escassez de combustíveis na União Europeia (UE), apesar das perturbações no abastecimento criadas pela guerra do Irão, mas disse estar a preparar-se para possíveis falhas no combustível para aviação.

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Na quinta-feira, o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, afirmou que a Europa tem “talvez mais seis semanas de combustível para aviões”, alertando para possíveis cancelamentos de voos em breve se o abastecimento de petróleo continuar bloqueado.

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