A alta dos preços dos alimentos está a pôr em causa a viabilidade das explorações agrícolas, alertou esta segunda-feira a Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal (Confagri).
Em comunicado, a confederação adianta que "a subida galopante dos custos dos fatores de produção", como a energia, os combustíveis e as matérias-primas importadas, estão a "a colocar a viabilidade de muitas explorações agrícolas próximo do colapso".
Os produtores não estão a conseguir repercutir nos preços à produção os custos que suportam, diz. E lembra que em 2022, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, verificou-se uma redução do rendimento da atividade agrícola de cerca de menos 12 %.
Para a estrutura associativa, "há ainda um caminho que deve ser percorrido de forma a mitigar os efeitos dos brutais aumentos dos custos de produção, nomeadamente os custos fixos associados à energia (gasóleo e eletricidade) e a isenção de IVA aplicável aos alimentos essenciais".
"Temos vindo a apontar algumas soluções, que passam por uma ação concertada entre os vários Ministérios e recusamos de todo, que sejam os agricultores a suportar os efeitos diretos e indiretos da guerra e da inflação", sublinha no comunicado Idalino Leão, presidente da Confagri.
A Confagri aguarda que na próxima reunião da PARCA - Plataforma de Acompanhamento das Relações na Cadeia Alimentar, agendada para 22 de março, com a participação dos ministros da Economia e da Agricultura e Alimentação, sejam identificadas "novas iniciativas políticas, que garantam a qualidade e segurança da alimentação da população portuguesa e que promovam a viabilidade da produção agrícola nacional".