A pintora Paula Rego alertou, em janeiro passado, para "a falta de dinheiro para manter o museu como deve ser", embora se afirmasse contente com a Casa das Histórias, em Cascais.
Paula Rego falava à Lusa, em Paris, quando da inauguração da primeira exposição representativa da sua obra em França, que teve lugar no Centro Calouste Gulbenkian.
Na sequência do processo de avaliação das Fundações, o Governo recomenda a extinção da Fundação Paula Rego, que gere a Casa da Histórias, depositária de 524 obras doadas pela pintora ao município de Cascais, e cujo valor patrimonial é avaliado pelo Executivo em 3,4 milhões de euros, tendo recebido do Estado, até 2010, perto de 1,2 milhões de euros.
Inaugurada em setembro de 2009, a Casa das Histórias registava, em janeiro passado, mais de 300 mil visitantes. Além da exposição permanente e das temporárias, a instituição tem apresentado diferentes iniciativas paralelas, como peças de teatro, visitas orientadas, contos populares e ateliers para o público.
O serviço educativo contou nos dois primeiros anos com 52.000 participantes tendo realizado duas mil iniciativas artísticas e educativas, revelou uma fonte da Casa das Histórias à Lusa.
A Casa das Histórias, toda em cor de tijolo, desenhada pelo arquiteto Eduardo Souto de Moura, destaca-se na vila de Cascais pelas duas imponentes pirâmides de vértice cortado, tendo recebido em 2011 o Prémio Secil de Arquitetura.
O edifício está rodeado por um jardim, uma esplanada servida por uma cafetaria, tem um auditório, biblioteca e uma loja-livraria.
A Fundação, que "tem como fim principal promover a divulgação e o estudo das obras da pintora Paula Rego e do pintor Victor Willing [seu marido] e como fim subsidiário a divulgação da arte moderna e contemporânea", refere a avaliação do Governo, e é detida pela pintora, o município de Cascais, John Erle-Drax, da galeria Marlbourough Fine Art, de Londres, e a administração central.
A Fundação Paula Rego, segundo a avaliação governamental, teve uma pontuação de 40,8 num máximo de 100, reconhecendo 408.806 "beneficiários ou utentes". A avaliação estima a percentagem dos apoios financeiros públicos em relação ao total de proveitos, em 73,5%.
Com uma carreira consagrada internacionalmente, Paula Rego, 77 anos, reside em Londres desde 1976, e tem exibido obras, nos últimos anos, no Reino Unido, em Madrid, Washington, em Paris e no México.