A "grande maioria" dos consumidores está disposta a gastar até 200 euros na Black Friday, que marca o arranque da época de compras dos dois últimos meses do ano. É a industry manager da Google Portugal, Joana Bastos dos Santos, que o revela ao Dinheiro Vivo, com base nos dados do Google Consumer Survey Portugal..Segundo explica, a Black Friday (dia seguinte à quarta quinta-feira do mês de novembro), que "começou por ser só uma sexta-feira [de promoções excecionais]", institui-se como o dia que marcava o arranque das compras da época de natal. Mas, ao dia de hoje, a efeméride comercial foi alargada "aos dois últimos meses do ano". "É uma verdadeira época de compras, já não é só uma sexta-feira. E há uma série de outras datas [em novembro e dezembro] que já estão enraizadas na mente do consumidor", disse..Ora, com base no estudo da Google aos consumidores portugueses, este ano 44% pretende fazer compras nestes últimos dois meses. Ou seja, "quase um em cada dois" consumidores portugueses vai atacar a época de compras que se inicia com a Black Friday..Outra conclusão é que os consumidores nacionais estão "cada vez mais agnósticos" em relação à forma como compram. Segundo a industry manager da Google Portugal, os consumidores "descobriram a conveniência do comércio eletrónico e do contexto online" e, por isso, a época de compras que se perspetiva nestes dois últimos meses "vai ser, provavelmente, a peak season mais omnicanal de sempre". Os números assim o indicam: 56% dos portugueses considera "indiferente" o canal que vai usar para realizar uma compra; 53% dos portugueses admitem fazer compras tanto online como em lojas físicas; e 22% dizem comprar exclusivamente online. Este último ponto compara com os dados de 2020, quando apenas 15% dos consumidores admitia fazer compras exclusivamente online..Dinâmicas comerciais Esta evolução aponta uma alteração no comportamento dos consumidores e nas dinâmicas comerciais dos retalhistas, ao longo do tempo, acelerada também pelos efeitos da pandemia. A principal alteração é que tanto consumidores como os negócios estão "muito mais habituados" a uma dinâmica "mais omnicanal"..Depois, quem compra e quem vende tende a fazer um planeamento antecipado da época que se inicia com a Black Friday. Afinal, os "dois últimos meses do ano representam acima de 30% da faturação anual". "São efetivamente momentos críticos para os negócios, em termos de sucesso do ano", sublinha..Para que haja uma maior adaptação e acompanhamento do comportamento dos consumidores, tendo em conta que "o processo de compra é extremamente complexo", as empresas retalhistas têm optado por disponibilizar a opção do consumidor levantar encomendas nas lojas - é "conveniente para o consumidor" e retira "alguma pressão logística à operação" ao vendedor..Outra medida tem sido o alargamento dos períodos de devolução e de troca de produtos. Para a responsável da Google, essa flexibilidade do vendedor é "altamente interessante para o consumidor", pois facilita quem compra via online e incentiva a antecipação da compra..Uma alteração verificada pela Google é que a Black Friday já não incide apenas no retalho, embora a tendência maior da procura continue nos produtos de tecnologia e eletrodomésticos. Segundo Joana Bastos dos Santos há hoje um "interesse mais transversal por todas as categorias" nesta época. Por exemplo, também setores como a hotelaria e a restauração já embarcam nas promoções desta época para alavancar procura, consumo e receitas..Por isso, há uma expectativa sobre "a abrangência que esta época vai ter noutro tipo de negócios", conclui a responsável da Google Portugal.