O preço do azeite tem vindo a subir e, no mês de abril, chegou a ser negociado por 6.269,63 dólares (5.798,4 euros) por tonelada, mais 46% face ao período homólogo. Trata-se de um novo recorde de preço, depois de se ter registado quebras de 40% na produção, em Portugal e Espanha, na campanha de 2022.
De acordo com as estatísticas do Fundo Monetário Internacional (FMI), o preço do azeite já não se estabelecia em máximos tão elevados desde 1990, o que se justifica com as quebras registadas na produção o ano passado, provocadas pela seca extrema, mas também com os custos da energia a aumentar, fazendo disparar os gastos de produção.
Em fevereiro, o Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgou que as previsões agrícolas, a 31 de janeiro, apontavam para uma "produção de azeite, na campanha de 2022, a rondar os 1375 milhões de hectolitros (cerca de 126 mil toneladas), o que corresponde a uma diminuição de 40%" face à campanha de 2021, em que se tinham produzido 2,29 milhões de hectolitros.
Em Espanha, a situação foi semelhante - também com quebras na ordem dos 40% -, com apenas 680 mil toneladas de azeite proveniente da colheita de 2022, contra 1,5 milhões de toneladas do ano anterior.
As alterações climáticas, particularmente através de temperaturas muito elevadas e seca extrema - e recordando que o verão de 2022 foi o mais quente de sempre na Europa -, continuam a fazer-se sentir e podem dificultar cada vez mais o cultivo de azeitona em algumas das regiões. Se não for possível reverter a tendência decrescente de quantidade de azeite na próxima campanha, a escassez de produto continuará a refletir-se nos preços e no bolso do consumidor final.