

O economista português Ricardo Reis, professor na London School of Economics, terá sido afastado da corrida a ser economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) por ter criticado a política tarifária do presidente dos EUA, Donald Trump, avançou o jornal britânico Financial Times esta quinta-feira.
O jornal noticia que Reis era o principal candidato para ocupar o cargo e chegou mesmo a ser preparado o anúncio da sua nomeação. Porém, de acordo com três fontes contactadas pelo Financial Times, declarações contra a política económica de Trump acabaram por afastá-lo no último minuto.
Em vez de Reis, o FMI acabou por nomear Silvana Tenreyro, antiga economista do Banco de Inglaterra, em julho. O jornal especializado diz que a economista nascida na Argentina também se mostrou contra as tarifas, embora de forma menos vocal.
O jornal menciona dois exemplos de declarações de Ricardo Reis contra as tarifas. A primeira foi na sua conta na rede social X, onde avisou em abril de 2025 que as tarifas globais anunciadas pelo norte-americano iriam causar um aumento na inflação.
Depois, em maio desse mesmo ano, Reis criticou as tarifas com um aviso de que iriam "gerar inflação interna e recessão", falando num podcast da Fundação Francisco Manuel dos Santos.
Contactados pelo Financial Times, nem o FMI nem Ricardo Reis comentaram diretamente o assunto. Um porta-voz da instituição internacional garantiu porém que o procedimento de escolha foi "rigoroso e competitivo" e que não comentam a identidade dos candidatos.
Como nota o jornal, a pressão da administração Trump sobre o FMI tem aumentado, que está sediado precisamente na capital norte-americana Washington D.C e tem os Estados Unidos como principal.
Após um início recheado de críticas, vindas principalmente do secretário do Tesouro dos EUA, o Washington Post noticiou em abril que Trump se estava a aproximar da instituição que, em conjunto com o Banco Mundial, tinham alterado algumas posições em temas como as alterações climáticas.
O Financial Times, nota que a diretora Kristalina Georgieva, responsável por nomear cargos seniores, abandonou o seu foco em questões de género por pressões de Bessent.