Sem respostas da tutela, agricultores apelam a Marcelo

Presidente recebeu hoje a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), que diz não ter resposta da tutela para problemas que se vêm agravando diariamente. CAP levou ao PR temas estruturais, da estratégia para fazer face à inflação às mudanças que a ministra tem imposto ao setor.
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"Atendendo ao irregular funcionamento institucional do Ministério da Agricultura, que se encontra em acelerado processo de desmantelamento e desagregação, a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) solicitou uma audiência ao Presidente da República." Assim justificam os agricultores a necessidade de se fazerem ouvir e de, na ausência de atenção da ministra que os tutela, se virarem para a mais alta instância.

A audiência teve lugar esta tarde, no Palácio de Belém, com os representantes do setor a alertar o PR para os sucessivos e crescentemente graves problemas vividos pela inação ou falta de decisão da tutela.

"A expectativa da CAP é que o Presidente da República, na posse de toda a informação, e no quadro dos seus poderes constitucionais, possa atuar no sentido de devolver ao setor a sua normalidade política e institucional, para que este possa continuar a crescer, a desenvolver-se e potenciar a sua missão de produzir alimentos", concretiza a CAP, em comunicado emitido após o encontro.

Entre os temas que a estrutura liderada por Eduardo Oliveira e Sousa e Luís Mira levou à Presidência da República estão, por exemplo, a mudança de tutela das Direções Regionais de Agricultura - "elo central de ligação do Ministério aos agricultores no território" - passando para as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, que os agricultores consideram ser "o golpe final num ministério que hoje se transformou numa sombra do que foi no passado, manifestamente incapaz de cumprir a sua missão política e institucional de tutelar o setor".

"Foi uma exposição detalhada sobre estes assuntos que foi feita na audiência de hoje", refere a CAP, explicando que além de temas mais amplos, como a água e a floresta, foram levada ao PR a lista de dificuldades que se adensam diariamente. "A ausência de ajudas e de apoios está a estrangular os produtores, que se debatem com um aumento de custos brutal, aumentos esses que não são refletidos integralmente nos preços de venda, o que muitas vezes resulta em prejuízo e quebras de produção", refere a confederação.

Lembra ainda que a perda de competitividade é diária e "o governo escolhe ignorar que é o grande responsável pelo enorme aumento de preços dos produtos alimentares junto dos consumidores", referindo que é verdade que a inflação e o agravamento dos custos de produção explicam parte dos aumentos, mas "a inação e a incompreensão governamentais da importância de apoiar a produção são as principais responsáveis pela situação descontrolada dos preços".

"Há mais de mil milhões de euros de verbas comunitárias do Plano de Desenvolvimento Rural por executar, o que é incompreensível. É um atentado à boa gestão, é um insulto a todos os que querem fazer crescer a atividade e não podem. As instituições não funcionam, o ministério não funciona", lamenta a CAP.

Após cinco manifestações organizadas pela CAP no último mês e meio, que juntaram milhares de agricultores de norte a sul dado o "grau de descontentamento, indignação e preocupação de todo o setor", o setor volta a sair à rua no próximo dia 24, desta vez em Évora, em protesto "contra a incompetência de quem nos governa".

A CAP recorda que, na ausência de atenção do governo ao setor, se dirige agora a Marcelo, representante máximo da democracia portuguesa. "O PR é o garante do regular funcionamento das instituições democráticas. No governo da agricultura, as instituições não estão a funcionar adequada e regularmente. Estão, aliás, a funcionar em claro prejuízo e detrimento do desenvolvimento da agricultura nacional", vinca.