

A inflação foi de 2,9% na zona euro e 3,0% na UE, em julho. Para o BCE, as conclusões passam pela necessidade de conter a escalada, pelo que uma subida dos juros é, por esta altura, altamente provável.
Os dados foram confirmados pelo Eurostat na manhã desta quarta-feira, 19 de agosto, e mostram acelerações de 0,1 pontos percentuais (p.p.) face a subidas de 2,8% e 2,9%, respetivamente, registadas no mês anterior.
Esta é, sobretudo, uma consequência da escalada nos preços da energia. De resto, a tendência diz respeito precisamente a variações homólogas acima do limite de 2% definido pelo Banco Central Europeu (BCE) para o índice geral.
Face a julho do ano passado, os preços dos produtos energéticos continuam a registar a maior escalada, na ordem de 10,3%. Ao mesmo tempo, os custos subiram 2,4% nos alimentos não processados.
Excluindo estes dois itens, em regra mais voláteis, a inflação foi de 2,2% em julho. Destaque para o setor dos serviços, no qual os preços escalaram 3,3%.
Registam-se ainda subidas de 0,9% nos bens industriais não energéticos e 1,2% na categoria que envolve alimentos, bebidas alcoólicas e tabaco.
Face ao mês anterior, os preços avançaram 0,2% em julho. Ainda assim, excluindo a energia e os alimentos não processados, a variação foi nula. Também aqui, a energia regista a maior subida de preços, na ordem de 2,7%. Pelo contrário, registou-se uma decida de 0,7% nos alimentos não transformados em julho, face ao mês anterior.
A inflação subiu muito além daquilo que o próprio BCE define como saudável (até 2,0%, em termos homólogos). Ao mesmo tempo, regista-se novo fôlego no aumento dos preços, depois do máximo relativo atingido em maio, a que se seguiu uma desaceleração, em junho. Os dados reacendem, assim, receios de renovadas pressões sobre as economias europeias.
Neste contexto e com a próxima reunião agendada para dia 10 de setembro, o cenário mais provável diz respeito a uma subida das taxas de juro de referência, na ordem de 25 pontos base. Se assim for, avançam de 2,25% para 2,50%.
De resto, os mercados continuam a antecipar duas subidas dos juros até final do ano, numa altura em que restam três reuniões.
A inflação na economia nacional foi de 3,1% em julho, face ao mesmo mês do ano passado. Voltou a superar, por isso, a média europeia, ainda que tenha mantido o ritmo face aos dois meses anteriores. Em termos mensais, as contas são diferentes, já se regista um decréscimo de 0,3%.