Videojogos. Receitas podem chegar aos 350 milhões de euros

Presidente da Associação de Produtores de Videojogos Portugueses acredita que o país pode vir a ser o segundo mercado mais relevante da Europa.
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A indústria dos videojogos está em plena expansão no mercado português. Segundo uma previsão do Statista Market Insights, o consumo nacional neste setor deverá gerar uma receita de 365 milhões de euros em 2023.

Só em 2021, o volume de negócios das cerca de 80 empresas portuguesas que têm como atividade principal a produção de videojogos foi superior a 23 milhões de euros, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística. Até 2027, estima-se que o número de jogadores seja de três milhões.

Perante este cenário, e por forma a dar voz ao setor e visibilidade ao país, nasceu em 2021 a Associação de Produtores de Videojogos Portugueses (APVP), atualmente com 17 associados. "Nós representamos a indústria junto do Governo e de outras entidades. Assim, os associados conseguem dizer quais são os problemas que têm, o que querem e nós usamos isso para guiar nossas ações", explica Jeferson Valadares, o presidente da APVP.

"Existe muito potencial em Portugal nesta área. Não é que não tenha sido feito nada, mas as coisas ainda não são bem organizadas", diz, lamentando que seja "difícil começar uma empresa aqui". "Quando se é pequeno, no começo existe logo uma carga de impostos e uma certa burocracia a que se é obrigado e ainda nem se sabe se a empresa vai sobreviver." Avança com o exemplo de Inglaterra, onde "as empresas pequenas não pagam impostos durante mais de dois anos, o que é uma forma de as ajudar a sobreviver na fase inicial".

Para Jeferson Valadares, este é o género de incentivos que falta em Portugal para que mais empreendedores queiram abrir os seus negócios, porque quando a empresa já tem uma certa projeção "consegue apoios e subsídios, como do Portugal 20/20", apontou. Para já, a associação tem vindo a fazer a sua preparação, antes de iniciar contactos com entidades oficiais. "Passámos este primeiro ano a analisar, vendo o que já se faz a nível europeu, e parte de 2023 a preparar o plano", adianta, explicando que a Associação de Produtores de Videojogos Portugueses também integra a Federação das Associações Europeias.

Assim, é possível perceber o que está a acontecer no universo dos videojogos noutros países europeus e perceber o que pode ser importado para Portugal. "Estou sempre a ver na comunicação social que os jovens estão a sair de Portugal para trabalhar noutros países. Se cá houvesse uma indústria forte, seria uma forma das pessoas ficarem, porque estamos a falar de um emprego moderno, que envolve tecnologia, é aliciante e tem tudo para gerar benefícios para a sociedade", considera.

Revela que alguns produtores portugueses são bastante conhecidos no mercado geral dos videojogos, mas que não vivem cá. Diz ainda que, por vezes, basta um pequeno apoio para que o jogo seja lançado e acabe por ser um sucesso. "Existem várias opções, nós não estamos a tentar reinventar a roda. Falamos com muitas pessoas de Itália, Holanda e Inglaterra e aí faz-se de tudo", diz, exemplificando: "Em vários países dá-se o dinheiro inicial para que as pessoas tirem o jogo do papel e o levem para o mercado, para ver se tem retorno. Não é um investimento completo no jogo, mas é uma forma de potenciar que mais pessoas consigam mostrar o seu produto".

Estes são alguns dos pontos que a APVP pretende ajudar a melhorar em Portugal, país que Jeferson Valadares acredita poder vir a ser o segundo mercado mais relevante na Europa. Mas, para que isso suceda, é preciso que haja apoios às empresas em fase inicial e que o mercado se torne suficientemente apelativo para que os talentos queiram ficar por cá.

Da mesma forma, é preciso dar a conhecer o mercado de videojogos português ao mundo. "Essa é outra área onde temos de atuar, que é levar as pessoas e as empresas a eventos, para que possam mostrar todo o seu potencial e aumentarem a sua competitividade", acredita.

Ao mesmo tempo, e como a associação vê Portugal como um palco de negócios de sucesso, Jeferson Valadares diz que a prioridade é conseguir que novas empresas de jogos de vídeo tenham a base dos seus negócios no nosso país.

De modo a trazer grandes empresas para terras lusas, a Associação de Produtores de Videojogos Portugueses tem levado a cabo workshops, masterclasses e apoiado eventos, porque é importante para a comunidade do setor ter contacto com palestrantes e saibam o que se passa neste universo.

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