Empresas portuguesas investem em Marrocos

A Frulact já exporta para nove países do Norte de África e do Médio Oriente, mas quer chegar a mais mercados nestas regiões
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Amorim Florestal, Tecnimede e Frulact representam três dos grandes investimentos já realizados por empresas nacionais neste país. A Frulact vai investir ali em mais uma unidade fabril e a ERT quer abrir uma subsidiária

Frulact vai investir em nova fábrica

A empresa portuguesa, com sede na Maia, investiu em duas fábricas em Marrocos onde faz transformação de fruta, posteriormente utilizada em compotas, sumos, gelados, molhos e iogurtes. O mesmo acontece com os produtos da Frulact em Portugal, onde é um dos principais fornecedores da Danone.

João Miranda, empresário e gestor da Frulact, aposta no Norte de África desde 1998. Começou pela Argélia, Tunísia e depois Marrocos, onde instalou uma unidade fabril em 2008 e, mais tarde, outra ali ao lado, na cidade de Larache, entre Tânger e Casablanca.

O empresário afiança que “todos os iogurtes à venda em Marrocos têm fruta Frulact”. Numa entrevista ao Dinheiro Vivo, que acompanhou em exclusivo a missão empresarial da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa a este país do Norte de ´África, afirma que a qualidade da fruta, como por exemplo o morango, assim como a atrativa fiscalidade, a estabilidade política e a proximidade da Europa são fatores decisivos para investir mais e crescer a partir de Marrocos.

A Frulact é uma das empresas lusitanas que mais investiu no país e quer continuar essa aposta, até porque a unidade que tem em Larache está em plena produção e “não há mais espaço para crescer”. Por isso “vai haver necessidade de fazer um novo investimento. Temos tido um crescimento grande e precisamos de duplicar a produção. No máximo, dentro de três a quatro anos teremos de o fazer”. Já está a ser analisada a possibilidade de vir a integrar uma área do Agro-Pólo, definida pelo executivo marroquino como centro empresarial para o agrobusiness, com infraestruturas adequadas ao sector e condições fiscais vantajosas.

A Frulact já exporta para nove países do Norte de África e do Médio Oriente, mas quer chegar a mais mercados nestas regiões e entrar na África Central. Hoje, a empresa portuguesa tem um total de oito fábricas em cinco países, de três continentes. Em 2017 prepara-se para abrir uma fábrica no Canadá. “A obra segue a bom ritmo e deverá iniciar a produção em março ou abril”, adianta. Depois desta estreia, “a próxima aposta será nos Estados Unidos”.

Simoldes pretende investir 55 milhões

A Simoldes poderá vir a fazer o maior investimento das empresas portuguesas em Marrocos, numa fábrica de moldes para a indústria automóvel. Há até um acordo assinado na presença do Rei Mohammed VI, de Marrocos, que formaliza a intenção de investimento da empresa portuguesa.

Em Casablanca, à conversa com António da Silva Rodrigues, dono da Simoldes, o Dinheiro Vivo apurou que tudo depende ainda do contrato que falta fechar com a francesa PSA, que irá instalar uma fábrica de automóveis, com 4500 empregos diretos e cerca de 20 mil indiretos, na cidade de Kenitra. A obra ainda não arrancou. A primeira pedra deverá ser colocada em 2017 e o arranque da unidade está previsto para 2018.

Amorim faz rolhas para o La Mamounia

É um dos mais luxuosos hotéis marroquinos e a Amorim Florestal produz rolhas com a marca La Mamoumia. Um hotel luxuoso em Marraquexe que fica longe da fábrica Comatral, detida pela Amorim. O grupo chegou ali nos anos 70, conhece bem a cultura local e a religião, por isso mesmo instalou uma mesquita para homens e outra para mulheres no terreno que fica atrás da fábrica, junto aos balneários. Essa iniciativa, a juntar ao sorteio anual de duas viagens a Meca, foram importantes para assegurar uma boa relação com os trabalhadores e a produtividade logo se ressentiu, em alta. É caso para dizer ‘em Roma sê romano’.

Hoje, diariamente, a fábrica produz 330 mil rolhas por dia e mais 650 mil discos para garrafas de champagne. Cá fora, ao redor da unidade industrial, acumulam-se pilhas e pilhas de cortiça, um stock que poderá valer qualquer coisa como 5 milhões de euros. “É produção local, de boa qualidade”, explica Francisco Carvalho, administrador da Amorim Florestal. “A faturação ronda os 6 milhões de euros por ano. Esta fábrica data de 1975, primeiro foi em Casablanca e depois foi deslocada para Rabat. Nos últimos dois anos foi investido um milhão de euros nesta unidade, para a sua modernização”, conta. O que aqui se faz é “a primeira transformação da cortiça antes de sua exportação, a maioria, para Portugal”.

A Amorim tem apostado forte no Norte de África. Hoje três fábricas na Tunísia, duas em Marrocos e uma na Argélia.

Tecnimede investe em alta tecnologia

Cerca de 20 milhões de euros foram investidos pela farmacêutica portuguesa Tecnimede em Marrocos. Apostou em tecnologia de ponta para fabricar medicamentos que combatem vários tipos de cancro.

A empresa já estava presente no mercado desde 1998, mas foi em 2015 que abriu esta fábrica. Visitá-la parece uma experiência espacial. Batas e toucas na cabeça, atmosfera controlada, ar filtrado. São mil os cuidados para que não haja contaminação, nem para dentro, nem de dentro para fora.

Aqui trabalha-se com substâncias capazes de matar tumores. A área da investigação merece forte aposta todos os anos, a rondar os 10 milhões de euros. A empresa, a partir de Marrocos e também das fábricas que detém em Portugal, exporta para todo o mundo. É detida a 100% por capitais portugueses, foi fundada em 1980 pelo médico Jorge Ruas e hoje a CEO é a sua mulher, Maria do Carmo Neves. O grupo tem presença direta em cinco países e tem clientes em 100 mercados.

ERT quer abrir subsidiária

A ERT Têxtil Portugal fatura qualquer coisa como 80 milhões de euros. É uma empresa que faz componentes têxteis para a indústria automóvel, mas também para o calçado, têxteis lar e para a construção.

Na prática faz o revestimento dos muitos dos tecidos que servem para o interior dos automóveis. É nesta área que mais tem apostado e através da qual quer vingar em Marrocos. Durante a missão empresarial àquele país analisou as zonas francas onde é vantajoso investir e revela ao Dinheiro Vivo “a intenção de ali abrir uma subsidiária”. Gustavo Rodrigues, administrador financeiro (CFO) da empresa, conclui que o mercado tem “forte potencial, um sector automóvel já desenvolvido e é uma boa plataforma para chegar a outros mercados”.

Moldiject, moldes de Alcobaça

Salomé Trigo é uma empreendedora. Arriscou investir, há cerca de três anos, na indústria de moldes e não está arrependida. Em Casal da Areia, perto de Alcobaça, faz moldes para a indústria automóvel mas também para relojoaria , por exemplo para a Chopard. Em Marrocos fez a sua primeira visita e primeiros contactos para fornecer clientes. O objetivo é a exportação.

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