

A Airbus quer vender aeronaves Eurofighter Typhoon a Portugal e espera ter uma proposta até final de Novembro. Está dedicada a “estreitar” laços entre países europeus e a colaborar com várias empresas, nomeadamente portuguesas.
Numa conferência de imprensa realizada esta quinta-feira, 24 de setembro, nos escritórios da empresa em Lisboa, foram transmitidos alguns detalhes. Ivan Gonzalez Exposito, Campain Manager do Eurofighter para Portugal, explicou que um dos objetivos passa por “fazer um Eurofighter tão português quanto possível para os próximos 30 a 40 anos”.
Tendo isto em vista, a Airbus espera ter um preço estabelecido no final de outubro ou, no máximo, início de novembro. Mas porque razão o Eurofigter seria o caça mais indicado para Portugal?
Questionado sobre uma comparação com o caça F-35, Ivan Gonzalez Exposito explica que este “é desenhado para combater no território do inimigo”, pelo que poderia ser uma solução numa eventual guerra contra “Rússia ou China”, diz. No entanto, “esta não é a missão” da Força Aérea Portuguesa (FAP), que procura sobretudo uma aeronave de patrulha.
“O Eurofighter é a solução ideal [...] para as missões que estão a realizar diariamente”, diz, lembrando que é “mais rápido, ágil e que pode voar mais alto", assim como tem um “papel defensivo”, salienta.
De acordo com José Luís Miguel, vice-presidente e líder da área de Defesa e Espaço da Airbus na Europa, esta é “uma grande oportunidade para a Airbus e Portugal”.
Recorde-se que o país ainda não lançou um concurso formal para substituir os seus 28 caças F-16M modernizados, mas a iniciativa da Airbus aponta para uma intensificação da concorrência por um contrato que aprofundaria os laços de defesa de Lisboa com parceiros europeus ou norte-americanos. A Airbus fabrica o Typhoon em parceria com a britânica BAE Systems e a italiana Leonardo.
A proposta incluiria “soluções de financiamento público e privado para Portugal, a fim de aliviar o plano de pagamentos”, a par de participação industrial e cooperação militar associadas à oferta, afirmou aos jornalistas o gestor de campanha da Eurofighter para Portugal, Ivan Gonzalez Exposito.
José Luís Miguel reforça a expetativa de que um acordo entre a empresa e o Governo aconteça “nos próximos meses”, ainda que sem um prazo específico.
Por esta altura, a Airbus tem já parcerias estabelecidas com 35 fornecedores portugueses, junto dos quais estima gastar 90 milhões de euros nos próximos cinco anos. Na lista, há nomes como Tekever, Caetano e Critical Software, por exemplo.
Em termos globais, conta com 400 empresas parceiras e estima um contributo para a economia na ordem de 90 mil milhões de euros, entre 2024 e 2033, no Reino Unido, Alemanha, Espanha e Itália. Daquele valor, 22 mil milhões corresponderão a impostos. O programa de desenvolvimento do Eurofighter justifica “mais 100 mil empregos na Europa”. Conta já 620 entregas da aeronave Eurofighter Typhoon e tem em mãos 769 encomendas. Países como Alemanha, Espanha, Itália e Turquia estão à espera que cheguem aviões, ao dia de hoje.
O ministro da Defesa de Portugal, Nuno Melo, afirmou já por mais de uma vez que pretende que haja concorrência entre os fabricantes, de modo a maximizar os benefícios para o país e para as suas indústrias. Tal como o DV já esceveu nos últimos meses, o Typhoon enfrenta a concorrência do F-35 da Lockheed Martin - considerado pelos analistas de defesa como o principal candidato - bem como do Rafale da Dassault Aviation e do Gripen E da Saab.