A transformação digital é uma das grandes prioridades do país. Como é que a consultora tecnológica tem participado nesse processo?
É indubitável a crescente transposição do mercado físico para o digital, por parte das organizações, que têm como propósito intensificar a sua estratégia digital ou até mesmo revolucionar por completo o seu produto no mercado digital. Neste sentido, a Noesis apoia as organizações na transformação dos seus negócios, aproveitando o melhor que a tecnologia tem para oferecer. Atualmente, somos capazes de suportar uma diversidade de temas relacionados com a transformação digital, desde infraestrutura, cloud ou cibersegurança, passando pelos managed services, mas também intervindo de forma ativa nos processos de inovação das organizações, em áreas que são cada vez mais relevantes como data analytics, Inteligência Artificial, automação, sem esquecer o desenvolvimento aplicacional, desenvolvimento low-code e as áreas de quality assurance.
E que evolução prevê para o mercado de Tecnologias de Informação (TI) em Portugal no próximo ano?
Estes dois últimos anos assumiram-se como determinantes para o futuro das empresas, no que concerne ao "salto" digital. E a verdade, é que assistimos a um crescimento, sem precedentes, na digitalização dos negócios. Neste sentido, a questão agora passará por descobrir como as organizações vão ocupar esse espaço digital. Um dos tópicos cruciais nesta jornada é a segurança. O conceito de digital trust está cada vez mais na agenda das organizações. Assim, após um ano em que se assistiu a inúmeros casos de ciberataques, que afetaram empresas muito relevantes em praticamente todos os setores de atividade, é mandatório que as empresas façam essa evolução e estejam cada vez mais despertas para os temas da cibersegurança. Para atender a estes desafios, a Noesis tem procurado especializar-se e estabelecer parcerias com tecnologias de referência nestas áreas, como a Darktrace e a Dynatrace, por exemplo, que visam proteger de forma inteligente os sistemas da organização e monitorizar a todos os seus níveis de satisfação.
E têm sofrido com a falta de recursos humanos qualificados de que a maioria das empresas se queixa - sobretudo nesta área?
Sem dúvida, a falta de recursos humanos tem sido um desafio para todo o mercado e para todos os players, nós incluídos. Há uma clara lacuna entre a reduzida mão-de-obra qualificada e a demanda para os novos desafios tecnológicos. Também o facto de os recursos portugueses serem cada vez mais atrativos para empresas que operam fora do país, faz com que captem mão-de-obra altamente qualificada, made in Portugal. Para respondermos a este desafio, temos vindo a implementar, nos últimos anos, uma forte estratégia de employer branding, com vista a sermos uma empresa atrativa para novos talentos, e ao mesmo tempo para "reter" os nossos melhores. Procuramos estar alinhados com as boas práticas no mercado e valorizamos, cada vez mais, a evolução profissional dos nossos talentos e a promoção de um bom work life balance. Não foi por acaso que este ano ficámos no top 3 das melhores empresas para trabalhar em Portugal e no top 10 europeu. É sinal de que a nossa estratégia está a dar frutos e que as pessoas gostam de estar e trabalhar na Noesis.
E têm contratações nos planos, para Portugal, em 2023?
Neste ano ultrapassámos o marco dos mil colaboradores, presentes nos nossos mercados de atuação e nos diferentes escritórios em Portugal, Holanda, Irlanda, Brasil e Estados Unidos. Continuamos a crescer a bom ritmo e focados em continuar a captar talentos altamente qualificados. Para 2023 esperamos continuar na mesma linha de anos anteriores, o que significa recrutarmos entre 75 e 100 novos colaboradores para reforçar as equipas.
Em junho, a Noesis alcançou um volume de negócios recorde de 49,5 milhões, com 35% das vendas em Portugal, dado o crescimento do mercado internacional. Como terminam este 2022?
Pelo facto de pertencermos ao grupo Altia, cotado em bolsa, estamos limitados no que à divulgação de resultados financeiros referentes a este ano diz respeito. Mas posso adiantar que vamos novamente crescer e ultrapassar o resultado e volume de negócio registado no ano passado. Continuamos com um crescimento consistente, na linha do que temos apresentado em anos anteriores, na casa dos dois dígitos. Este crescimento reflete a consolidação da presença da Noesis no mercado nacional, aliado a um reforço significativo do volume de negócios no mercado internacional.
E que perspetivas têm para o novo ano? Em que áreas esperam mais crescimento?
Investimos continuamente na oferta de serviços especializados de IT, sempre identificando as necessidades do mercado e o reforço de parcerias que nos permitam continuar a responder com eficácia. Prevemos essencialmente um aumento da tentativa de reforço das organizações para se tornarem mais resilientes, com vista à sua sustentabilidade, no mercado digital, um aumento da maturidade da automação dos processos destas, bem como um aumento da capacidade de reação das empresas. De igual forma, acreditamos que os temas da cibersegurança continuarão na ordem do dia e esperamos continuar a crescer também nessa área.
Segundo um estudo realizado pela IDC, 54% das organizações nacionais, planeiam aumentar o seu orçamento no domínio da automatização de TI. Essa é outra das nossas áreas de atuação, onde oferecemos serviços diversos de automação, RPA, otimização de processos, integração entre aplicações, entre outros e onde esperamos, igualmente, continuar a crescer. É também notável a crescente procura, por parte das organizações, de terem a capacidade de responder às novas e constantes exigências do negócio de forma cada vez mais ágil e na redução do seu time-to-market. Esse contexto tem sido um acelerador para o desenvolvimento de soluções low-code, área em que apostamos desde 2008 com uma parceria de referência com tecnologia OutSystems, onde somos atualmente um dos maiores players a nível mundial. Em suma, o ano de 2023 será um enorme desafio para a Noesis e para as nossas equipas, que encaramos com otimismo e perspetivas de crescimento na linha dos últimos anos, reforçando a nossa posição quer em Portugal quer lá fora.