Algarve reclama comboios com mais frequência e alta velocidade para Huelva

Movimento Mais Ferrovia quer que Linha do Algarve passe a ter comboios urbanos. Associações empresariais reclamam linha de alta velocidade entre Faro e Huelva.
Publicado a: 

Os comboios elétricos poderão circular em toda a Linha do Algarve a partir do final de 2023. A conclusão desta obra é vista como uma oportunidade para a região reclamar comboios com mais frequência. Noutro plano, as associações empresariais do Algarve e da região da Andaluzia defendem a construção de uma linha de alta velocidade entre Faro e Huelva.

No final de 2023 ficará concluída a colocação da catenária nos troços Lagos-Tunes e Faro-Vila Real de Santo António, cerca de duas décadas depois de a corrente elétrica ter chegado ao percurso Tunes-Faro. O movimento Mais Ferrovia propõe que a Linha do Algarve passe a contar com um serviço de comboios suburbanos, como existe, por exemplo, em Lisboa e no Porto.

"A linha, depois de eletrificada, se só tiver comboios pesados, não serve. Tem de ter mais utilização e tem de ser uma alternativa ao transporte rodoviário. É possível combinar os comboios ligeiros com os comboios pesados. Queremos uma utilização mais versátil da linha, com a reabertura de apeadeiros e de mais pontos de cruzamento", sustenta ao Dinheiro Vivo a porta-voz deste movimento, Cristina Grilo.

Quando esta geóloga de formação defende a introdução de comboios ligeiros nesta linha, refere-se a automotoras para o serviço suburbano e não a composições como as que são usadas no Metro do Porto. A Linha do Algarve deve dar prioridade ao serviço urbano em vez do serviço regional.

"Sou de Faro e gosto muito de ir comer a Olhão. Mas, se perder um comboio, só há viagens de hora a hora. Não há a frequência desejada, apesar de a viagem ser bastante rápida", exemplifica a geóloga.

As propostas do movimento Mais Ferrovia para esta região até 2050 não ficam por aqui: deve construir-se um novo troço que ligue as estações de Estômbar e de Faro, criando uma "linha do litoral algarvio"; a ligação, "tipo metro de superfície, que sirva o Aeroporto, a Praia de Faro, Montenegro e Gambelas/Universidade"; e ainda a construção de uma linha de alta velocidade paralela à Via do Infante (A22), "que faça a ligação ao Alentejo, servindo o Aeroporto de Beja, Lisboa/Porto e Espanha, com o atravessamento do Rio Guadiana".

Também defensor de mais comboios no Algarve é Manuel Tão. Este especialista da Universidade do Algarve chama a atenção para o potencial deste troço, que em fevereiro mereceu uma reportagem alargada do canal cultural Arte. Depois da eletrificação, "a linha pode ser vítima do seu próprio sucesso. Pode ser preciso construir uma segunda via entre Tunes e Faro, assim como criar mais pontos de cruzamento".

Este professor, no entanto, defende que o serviço de longo curso "é muito mais importante para o Algarve do que o serviço local". Como alternativa ao automóvel, "quanto mais eficiente" for o serviço de longo curso, "maior será a capacidade para distribuir mais passageiros para o serviço local". Manuel Tão recorda ainda que a Linha do Algarve pode voltar a contar com mais mercadorias, como o transporte de peixe.

Atualmente, a Linha do Algarve é servida por automotoras diesel, da série 450 da CP. O serviço está dividido entre os troços Lagos-Faro e Faro-Vila Real de Santo António. Ou seja, não há um comboio direto que una os 150 quilómetros da linha ferroviária mais a sul do país.

Quem também uma linha de alta velocidade no sul do país são as organizações do comércio da Andaluzia e a associação empresarial do Algarve. Com financiamento europeu do Fundo de Desenvolvimento Regional (FEDER), esta linha de alto desempenho poderá ligar Faro a Huelva. Esta proposta foi bem acolhida pelo secretário-geral da região da Andaluzia, Tomás Gallego.

Desta forma, poderá ser aproveitado o "potencial turístico e económico das regiões portuguesas do Algarve e do Alentejo, assim como da Andaluzia, em Espanha". Estes argumentos são "mais do que suficiente para defender uma ligação ferroviária transfronteiriça" com "menos consumo de energia e menores impactos sonoros e ambientais", assim refere o jornal local Huelva Informarción.

Esta proposta ibérica aproxima-se da ligação de alta velocidade entre Lisboa, Faro e Huelva, foi uma das quatro linhas acordadas entre Portugal e Espanha na cimeira ibérica da Figueira da Foz, em 2003. Este troço teria uma estação intermédia em Beja e ficaria concluída até 2018.