BPI: Lucros escorregam 13% para 239 milhões de euros

“Mais crescimento, mais inovação e mais impacto”, resume João Pedro Oliveira e Costa, CEO do banco, na apresentação das contas relativas ao primeiro semestre.
João Pedro Oliveira e Costa, CEO do BPI
João Pedro Oliveira e Costa, CEO do BPIFoto: Tiago Petinga/Lusa
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Crescimento de recursos e de crédito sustentam as contas apresentadas esta sexta-feira, 31 de julho, pelo BPI. Lucro consolidado cai 13% para 239 milhões de euros, com os resultados líquidos em Portugal a escorregar 8% para 221 milhões.

"Tivemos um one off no adicional de solidariedade que explica a redução do produto bancário no primeiro semestre", mas mantivemos "as imparidades estáveis" O ligeiro decréscimo da margem financeira, "explicou o CEO, deve-se a várias coisas, nomeadamente à reclassificação "da participação no BCI e isto levou a um reconhecimento de um determinado valor (no caso foram 35 milhões de euros), mas daqui a para a frente os únicos impactos que devemos ter serão em reservas", esclareceu ainda, afastando qualquer preocupação com os resultados do futuro, e garantindo que o banco está estável e seguro para os próximos meses.

"O percurso de descida de taxas de juro que estava em curso foi parando, e a nossa visão é que a economia portuguesa tem sido resiliente a estes impactos, tendo mantido uma evolução positiva, no entanto continuam a persistir desafios importantes e o principal tem que ver com o preço da energia. É o que tem tido mais impacto ao nível da inflação", referiu Oliveira e Costa na conferência de imprensa desta manhã, salientando a importância de olhar para o contexto macroeconómico nesta altura.

"Assistimos a certa estabilização do preço do petróleo e acreditamos que vá estabilizar à volta deste valor" - cerca de 80 dólares o barril. As taxas de juro terão algum percurso para ajustar em alta e, portanto, esperamos taxas de juro perto dos 3% no final do ano", admitiu, notando que "permanecem os desafios. Em Portugal, o tema da competitividade é fundamental; outro é o tema da demografia, que tem que ver não apenas com o envelhecimento mas também crescimento da população por emigração. As contas públicas permanecem estáveis e é importante que este percurso continue", notou.

"Mas o grande tema, para mim, estratégico, que é um grande desafio e que temos de continuar a falar nele para ver se tem algum impacto digno de registo, é a habitação", sublinhou.

Dito isto, continuou o gestor, Portugal "continua uma economia muito dependente do exterior, com empresas saudáveis, que estão com rácios de endividamento historicamente baixos e capacidade investimento significativo", considerou.

O BPI registou, entre janeiro e junho, crescimento tanto no crédito a empresas (7%) e à habitação (5%) e registou ainda um recorde de contratação de crédito pessoal, campo onde o banco gostava de crescer acima dos números do ano anterior.

Quanto ao crédito à habitação com garantia do Estado - comummente chamado de crédito à habitação jovem -, o BPI garantiu até agora 8 mil contratos, no valor de 1,6 mil milhões de euros. Até agora, "não acionámos nenhuma garantia, não houve qualquer problema com contrato nenhum", salientou o responsável do banco.

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