Clubes grandes "têm que ter pequenas participações de mercados internacionais", diz Marco Galinha

Na perspetiva do CEO do grupo Bel, entradas de capital estrangeiro são críticas para elevar o futebol português. O CEO do Alverca alerta que a pirataria consome "dois terços" do futebol.
Marco Galinha foi orador no evento ion, onde abordou os desafios e oportunidades que se apresentam ao futebol português
Marco Galinha foi orador no evento ion, onde abordou os desafios e oportunidades que se apresentam ao futebol portuguêsPaulo Spranger
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A abertura do capital dos clubes de futebol portugueses a investidores estrangeiros é um dos temas que marca a agenda nos últimos anos. Na manhã desta quarta-feira, 25 de março, em Cascais, esteve em discussão entre empresários.

O evento ion - International Business & Sports Conference contou com vários painéis nos quais se discutiu de tudo um pouco, desde a arbitragem no futebol à mutações no público que assiste à modalidade. Num destes, foi orador Marco Galinha, CEO do grupo Bel. O próprio explicou a perspetiva que tem sobre um modelo de crescimento para o futebol português.

"O futebol [português] está a pensar numa pequena escala", na medida em que falta perceber o que está a ser criado em tecnologia, noutros países. "Há formas de valorizar os clubes", diz, sublinhando aquela que entende ser a mais importante no futuro próximo.

Marco Galinha abordou vários temas, desde a pirataria ao modelo de negócio para o futebol
Marco Galinha abordou vários temas, desde a pirataria ao modelo de negócio para o futebolPaulo Spranger

De acordo com o próprio, importa começar pelos chamados 'grandes', que "têm que ter pequenas participações dos mercados internacionais", na perspetiva de Marco Galinha. Isto significaria abrir o capital a investidores estrangeiros, de forma a conseguir entradas de capital significativas, ainda que sem "perder a maioria", ou seja, o controlo dos próprios clubes, alertou.

Por outro lado, aponta para a importância de ter o foco em desenvolver o próprio negócio.

"Os empresários têm que dar estabilidade ao futebol. Têm que criar um modelo financeiro onde os treinadores não estão preocupados com salários (...) e essa estabilidade é que vai dar as vitórias", aponta. A este respeito, lembra que muitos clubes, a par de muitas empresas, vivem o dia a dia sem saber "se vão conseguir pagar os salários".

Em suma, explica que "o futebol está cheio de talento", pelo que o que está em falta é "competitividade e um modelo de negócio", para que possa crescer de forma sustentada.

No mesmo espaço de debate, esteve também presente o CEO do FC Alverca, Miguel Albuquerque. Recorde-se que o clube recebeu, no ano passado, uma entrada de capital por parte de um grupo de acionistas que inclui o futebolista internacional brasileiro Vinícius Junior.

A esse respeito, o próprio salienta que "o Alverca é um clube super interessante pela localização geográfica, a 15 minutos do aeroporto [de Lisboa]", assinalou.

O ion, em Cascais, recebeu antigos futebolistas, antigos e atuais árbitros, empresários, entre muitos outros agentes do futebol desportivo.
O ion, em Cascais, recebeu antigos futebolistas, antigos e atuais árbitros, empresários, entre muitos outros agentes do futebol desportivo.Paulo Spranger

"A pirataria está a destruir o futebol"

A conversa entre os integrantes do painel incidiu também sobre o perigo que a pirataria representa para a venda dos direitos de transmissão televisiva e, por consequência, para o próprio futebol português.

"Dois terços dos direitos televisivos em Portugal são consumidos pela pirataria", alerta Miguel Albuquerque. Ora, quando a Liga Portugal coloca os direitos à venda, no mercado "leva um porta-bagagens com dois terços vazios, à partida", pelo que se torna "fundamental" clubes e o Estado atuarem.

Porém, os chamados 'grandes' não reagem ao tema. Faltam incentivos, aponta.

"Nunca aconteceu uma posição pública dos 'três grandes' sobre isto por uma razão muito simples", explica. É que, "têm contratos de direitos televisivos e, independentemente da taxa de pirataria, têm o dinheiro garantido", reconhece.

Posto isto, "não têm estímulo para se posicionarem ativamente contra isto e para se desgastarem", acrescentou.

Marco Galinha também alertou para os riscos existentes. "A pirataria está a destruir o futebol e as pessoas estão a assobiar para o lado", atirou, no mesmo tópico.

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