CTT encaixam 64 milhões para criar gigante ibérico em parceria com a DHL

A união entre as duas empresas fica concluída. Nos próximos anos, a DHL vai poder adquirir até 49% da CTT Expresso, ao passo que os CTT poderão comprar uma posição de até 49% na Danzas, da DHL.
João Sousa, administrador dos CTT, e Sérgio del Casale, CEO da DHL eCommerce Espanha
João Sousa, administrador dos CTT, e Sérgio del Casale, CEO da DHL eCommerce EspanhaLuis Cerdeira Estirado
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Bruxelas aprovou a joint venture entre os CTT e uma das gigantes europeias do transporte de encomendas. A empresa portuguesa terá direito a um encaixe líquido de 64 milhões de euros.

Inicialmente anunciado em dezembro de 2024, o acordo entre os CTT - Correios de Portugal e a DHL Ecommerce International Holdings fica agora completo. Num comunicado enviado à CMVM, os CTT fazem saber que a Comissão Europeia decidiu por uma "aprovação incondicional".

Posto isto, a CTT Expresso - Serviços Postais e Logística vai avançar para a aquisição da DHL Parcel Portugal. Em simultâneo, a DHL compra uma posição de 25% no capital da CTT Expresso e os CTT compram uma posição igualmente de 25% no capital da Danzas.

Esta última é acionista única da DHL Parcel Iberia que, por sua vez, é acionista única da DHL Parcel Portugal. O valor dos ativos (enterprise value) da transação à data do acordo não se alterou. O encaixe líquido variou em função de ajustamentos relativos à dívida líquida e ao fundo de maneio líquido.

O acordo dita que vai surgir uma "estrutura de opções de compra", pode ler-se. Consoante as contas financeiras de 2027 (que serão conhecidas no ano seguinte), os CTT poderão aumentar em 10% a participação no capital da Danzas, ao passo que a DHL vai poder adquirir igualmente 10% da CTT Expresso.

Mediante o desempenho operacional de ambas as empresas em 2028 (contas divulgadas em 2029), a participação dos CTT na Danzas pode avançar até 49% (participação adicional de 14%), enquanto a posição da DHL na CTT Expresso pode subir também para 49% (posição adicional de 14%).

Sediada na Alemanha, a DHL deverá gerar, em união com os CTT, "sinergias operacionais e comerciais significativas em Portugal e Espanha, bem como sinergias ao nível da estrutura empresarial", acrescenta-se. Estas devem surgir nas áreas de instalações e tratamento, rede de transporte e última milha.

A empresa portuguesa perspetiva ainda que o impacto das sinergias entre as duas empresas resulte num EBIT (lucro operacional antes da dedução de juros e impostos) acima de 35 milhões de euros por ano. Tal deverá acontecer quando for alcançado o "ritmo normalizado das sinergias", o que deverá acontecer "ao longo dos próximos dois a três anos", acrescentam os CTT.

Recorde-se que os CTT apresentaram os resultados operacionais do primeiro trimestre na quarta-feira da semana passada. No documento, apontavam precisamente para maio a conclusão da joint venture, conforme acabou por se confirmar.

João Sousa, administrador dos CTT, e Sérgio del Casale, CEO da DHL eCommerce Espanha
CTT e DHL recebem luz verde da UE para joint‑venture ibérica de encomendas
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