

A EDP Renováveis vai recuar em dois projetos eólicos offshore nos EUA, em virtude das "prioridades da atual administração", que não dá crédito às energias limpas. Posto isto, tem a receber um valor que deverá reinvestir noutros projetos de energias, mais alinhados com os objetivos de Trump.
Em comunicado à CMVM, a empresa esclarece tratar-se da Ocean Winds, uma joint venture detida em 25% pelos franceses da Engie e 25% pela EDP Renováveis. Esta última é subsidiária da EDP e vai mudar para "EDP Renewables", nome que foi aprovado na Assembleia Geral de dia 13 de abril, mas continua pendente de registo. Os restantes 50% dizem respeito a outros parceiros.
Os acordos foram aprovados pelo Departamento de Justiça (DOJ) e ditam o reembolso dos montantes que haviam sido pagos pela compra daquelas concessões. Em causa estão 200 milhões de dólares (cerca de 171 milhões de euros) que são devidos à EDP Renováveis e cuja transação "está dependente do cumprimento de condições precedentes, estimando-se que ocorra durante 2026", pode ler-se. O valor diz respeito à participação de 25% da EDPR nos projetos.
Ora, em causa estão dois projetos que seriam implantados no mar (offshore) e, sabe o DN, estavam em fase inicial. O Bluepoint Wind contaria com uma capacidade de 2,4 GW e ficaria na costa Este dos EUA, nas áreas de Nova Iorque e Nova Jérsia. O Golden State Wind, por seu turno, teria uma capacidade de 2GW e ficaria na costa Oeste, perto da Califórnia.
Em causa está a "resolução de eventuais litígios" com o Departamento do Interior dos EUA (DOI, na sigla em inglês), que diz respeito às concessões eólicas offshore de Bluepoint Wind e Golden State Wind.
A EDP Renováveis acorda ainda reinvestir "montantes equivalentes noutros projetos de energia nos EUA, alinhados com as prioridades da atual administração", acrescenta a EDP, no mesmo documento. Recorde-se que Donald Trump, presidente norte-americano, tem sido muito vocal nas críticas às energias renováveis, que procura substituir pelo petróleo. Este último é a grande aposta do atual líder, no plano energético.
Em setembro do ano passado disse, por exemplo, que a energia eólica é a "energia mais cara já concebida." As críticas estendem-se também a outras energias renováveis e às políticas de incentivo ao investimento nas mesmas, que foram grande parte da aposta da anterior administração (liderada por Joe Biden) na indústria energética. Uma perspetiva que se concretizou na retirada de apoios financeiros ao investimento em renováveis.
A EDP Renováveis assinala ainda que os EUA continuam a ser o "principal mercado" da empresa, com um peso de 60% no plano de investimento para 2026-2028, que envolve 7,5 mil milhões de euros. Esclarece ainda que "este investimento está focado em responder ao aumento da procura de energia através de soluções de geração competitivas, fiáveis e sustentáveis", complementa.
Contactada pelo DN, a EDP não quis adiantar informação além daquelas que estão no comunicado, assim como não prestou qualquer esclarecimento público adicional. Fica por saber em que projeto(s) em solo norte-americano será reinvestido o dinheiro.
Em reação a esta novidade, os investidores mostraram um leve ânimo nos mercados internacionais, a fechar a sessão de terça-feira. EDP Renováveis e EDP viram as respetivas capitalizações de mercado subirem na ordem de 0,5%, ao passo que a Engie valorizou 0,85%.
Atualizado às 17h59 com mais informações