Há quatro empresas que vão operar os novos autocarros na Grande Lisboa. TST, Scotturb, TST e Nex foram as entidades que receberam a melhor classificação do júri responsável pelo concurso para o serviço de transporte rodoviário de passageiros na AML - Área Metropolitana de Lisboa.
O relatório preliminar já está nas mãos do júri e os concorrentes têm 10 dias para se pronunciarem sobre os resultados, adianta esta terça-feira o Jornal de Negócios. Contactada pelo Dinheiro Vivo, fonte oficial da AML confirma que o relatório preliminar das propostas já foi enviado aos concorrentes.
Para este concurso, a AML decidiu dividir os 18 concelhos em quatro grupos, por ordem de grandeza de procura: noroeste (lote 1), nordeste (lote 2), sudoeste (lote 3) e sudeste (lote 4). Não serão concessionados os serviços municipais de autocarros de Barreiro, Cascais e Lisboa, que são prestados por empresas próprias. Os contratos terão validade de sete anos.
Os lotes noroeste e nordeste, da margem norte de Lisboa, tiveram apenas um concorrente cada, conforme o Dinheiro Vivo tinha escrito na passada sexta-feira.
A Scotturb, detida pela família brasileira Barata, deverá operar dentro dos concelhos de Amadora, Oeiras e Sintra e ainda assegurar as viagens de e para os concelhos de Cascais, Lisboa e para fora da AML. O lote 1 está avaliado em cerca de 400 milhões de euros mas a Scotturb terá proposto um valor de 389 milhões, menos 2,75%) e terá 133 linhas de autocarros, 35 delas novas. Atualmente, esta zona tem autocarros da Scotturb e da Vimeca e representa 33% da oferta na região.
A Rodoviária de Lisboa, do grupo Barraqueiro, foi a única empresa a concorrer para as viagens nos concelhos de Mafra, Loures, Odivelas e Vila Franca de Xira. O lote 2 vale cerca de 365 milhões (foi proposto um valor de 359 milhões, menos 1,6%) e contará com 218 carreiras, 31 delas são novas. O grupo Barraqueiro tem várias empresas nesta zona, como a própria Rodoviária de Lisboa, Barraqueiro Transportes, Isidoro Duarte, Boa Viagem e Henrique Leonardo Mota. Corresponde a 32% da oferta na região.
Na margem sul, havia quatro concorrentes para o lote 3 e dois concorrentes para o lote 4.
A TST apresentou a melhor proposta para o lote 3. A empresa do grupo britânico Arriva, e que já estava nesta região, vai ter 116 linhas (43 novas) nos concelhos de Almada, Seixal e Sesimbra, representando 18% da procura. Esta zona vale cerca de 273 milhões de euros mas foi proposto um preço de 254 milhões, ou seja, menos 7%.
O lote 4 é o único em que deverá haver um novo operador de transportes. A melhor proposta foi apresentada pela Nex Continental Holdings, detida pela National Express, que tinha ficado com a subconcessão da STCP no final de 2015 – entretanto anulada após a saída do governo de Passos Coelho.
A zona mais pequena do concurso vale cerca de 197 milhões de euros, corresponde a 14% da procura e inclui 111 linhas (21 novas) em Alcochete, Moita, Montijo, Palmela e Setúbal. A Nex propôs um contrato de 180,7 milhões de euros, menos 8,3% - é o maior desconto do concurso.
A partir do final do próximo ano, todos os autocarros na AML terão de ter a mesma cor (amarelo) e a mesma marca (Carris Metropolitana). No início do contrato, nenhum veículo poderá ter mais de 16 anos e a média exigida é de oito anos. A partir do quinto ano, nenhum autocarro poderá ter mais de 12 anos, com idade média de oito anos.
Desde dezembro do ano passado que a gestão do transporte rodoviário de passageiros passou para a competência das autoridades de transportes intermunicipais ou metropolitanas. No caso da Grande Lisboa, será constituída a empresa Transportes Metropolitanos de Lisboa, que poderá também gerir os barcos da Transtejo e da Soflusa.