Dona da Nowo pode estar a estudar saída de Portugal

MásMóvil entrou no mercado português, adquirindo a Nowo. Objetivo era crescer num mercado com baixo nível de competitividade. Mas a Digi veio baralhou os planos e, agora, a telecom estará a pensar sair de Portugal.
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A espanhola MásMóvil estará a ponderar sair do mercado português, menos de três anos depois de ter adquirido a Nowo. Os objetivos que a empresa teria para o mercado nacional terão sido baralhados com a chegada da romena Digi, que também adquiriu espetro no leilão do 5G. Caso não surja um eventual comprador para o negócio luso, a MásMóvil poderá admitir uma parceria local com a Digi, avançou o Expansión.

A MásMóvil chegou a Portugal em 2019, quando adquiriu a Nowo e Oni. Mais tarde, alienou a Oni e assumiu o controlo total do operador móvel virtual Nowo. Apesar de os planos nunca terem sido deslindados, os analistas do setor previam que o grupo espanhol procurasse em Portugal assumir o papel de challenger, colocando no mercado ofertas low cost. O operador acreditaria que poderia crescer sem ter de investir consideravelmente, tendo em conta a dimensão do mercado e contando com o baixo nível de competitividade entre os três operadores históricos (Altice, NOS e Vodafone).

Seria de esperar que os planos da MásMóvil para Portugal fossem revelados após a conclusão do leilão do 5G. Através da Nowo, investiu mais de 70 milhões de euros na aquisição de dois lotes nos 1.800 MHz e outras faixas na banda dos 2,1 GHz e dos 3,6 GHz. Não obstante, o aparecimento da romena Digi em Portugal, através da filial Dixarobil, veio atrapalhar os planos dos espanhóis, de acordo com o Expansión, pois terá ajudado a subir os preços do espetro no leilão e fez com que o mercado passa-se de três telecom com rede própria para cinco.

A Digi só chegou a Portugal no leilão do 5G, investindo 67 milhões nas bandas de 900 MHz, 1.800 MHz, 2,6 Ghz e 3,6 Ghz.Tanto a MásMóvil como a Digi já operam em Espanha e ambas terão planos para consolidar a presença em toda a Península Ibérica. A dona da Nowo é o quarto maior operador espanhol apostando em ofertas de baixo custo, estando atualmente em conversações exclusivas com a francesa Orange para fundir as operações em Espanha. Já a Digi atua com propostas "ultra low cost".

Ora, a dimensão do mercado português poderá não suportar dois operadores que definem operações, sobretudo, numa lógica de preço das ofertas. Segundo o Expansion, a MásMóvil encarará hoje Portugal como uma aposta mais dispendiosa face ao cenário anterior ao leilão do 5G. Os analistas acreditam que, agora, a dona da Nowo está a repensar o dossiê Portugal, ponderando ou sair deste mercado, vendendo a Nowo, ou firmar uma parceria com a própria Digi.

A segunda hipótese permitiria à MásMóvil ficar em Portugal sem ter de aumentar a aposta financeira, sendo que o espetro adquirido pela dona da Nowo e pela Digi podem ser complementares, permitindo ofertas em rede própria em 3G, 4G e 5G.

A concretizar-se uma operação de concentração, em Portugal, o setor segue o que já ocorre noutros mercados europeus. De acordo com um artigo do Jornal de Negócios, em março, os analistas de mercado admitem que os desafios crescentes de retorno no setor poderão servir de base a algumas movimentações, em Portugal. De facto, a própria MásMóvil já terá estado envolvida numa possível fusão com a Vodafone, como chegou a ser noticiado.

Altice diz que consolidação resulta política regulatória

Após a publicação do artigo do Expansión, Alexandre Fonseca, chairman da Altice Portugal que recentemente passou a co-CEO da Altice Europe, veio questionar os efeitos de uma eventual operação de concentração, poucos meses depois do leilão do 5G.

"Resta agora saber, se o Mercado optar pela consolidação e pela redução do número de operadoras, o que vai acontecer ao espetro adquirido a "peso de ouro" e acima de tudo, se vão ser atribuídas responsabilidades ao único culpado deste cenário", escreveu o gestor na sua conta de LinkedIN.

"O resultado da catastrófica política regulatória nas telecomunicações nacionais é o óbvio desinvestimento e a necessidade de consolidar e reduzir o número de operadoras, para que estas possam sobreviver", acrescentou responsabilizando a Anacom para os resultados deste tipo de movimentações no setor telco português.