Primus Inter Pares: Mulheres engenheiras arrebatam pódio em 2023

A 19.ª edição do prémio bateu diversos recordes: em número de participantes, 147; em presenças e finalistas femininas e, pela primeira vez, com duas vencedoras das engenharias.
Publicado a

Tem 24 anos, é engenheira mecânica e com um mestrado integrado na mesma área pela Faculdade de Ciências e Tecnologia, da Universidade Nova de Lisboa. Maria José Cardoso - que, entre outras coisas, foi também vice-campeã mundial de Vela na Classe SB20 em 2021 - é a grande vencedora da 19.ª edição do Prémio Primus Inter Pares. Agora, com a vitória, a jovem tem a primeira escolha de entre um grupo de sete prestigiadas business schools nacionais e internacionais para realizar o seu MBA. Duarte Pereira, de 25 anos, com mestrado em Finanças pelo ISCTE Business School, foi o 2.º classificado, e Maria do Rosário Rocha, de 22 anos, com mestrado integrado em Engenharia e Gestão Industrial pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, ocupou o 3.º lugar do pódio. Os três vencedores foram revelados na cerimónia final de gala dos Prémios Primus Inter Pares 2022/2023, iniciativa conjunta do Banco Santander e do jornal Expresso, que decorreu esta terça-feira, 20 de junho, na sede da Fundação Santander no Edifício dos Leões, na Rua do Ouro, em Lisboa.

À disposição dos três vencedores para a realização dos seus MBA, e por ordem de classificação, estão as escolas de negócios IE University, em Madrid, o IESE Business School, em Barcelona, o Lisbon MBA (uma parceria entre as escolas da Universidade Católica Portuguesa e da Universidade Nova de Lisboa), o ISCTE, o ISEG, a Porto Business School, e a Católica Porto Business School. Como vencedora, Maria JoSé Cardoso será a primeira a escolher, mas ao DV confessou que ainda não decidiu. "É claro que Madrid e Barcelona são escolas mais do que prestigiadas, só que eu quero mesmo estabelecer-me em Portugal e, portanto, acho que há valor em criar uma rede de networking aqui, portanto, tenho de ponderar os prós e contras".

Citaçãocitacao"Este prémio é uma excelente iniciativa, que quer valorizar quem é bom", disse Pinto Balsemão, presidente da Impresa e do júri.

Já Duarte Pereira e Maria do Rosário Rocha, se pudessem escolher sem entraves, provavelmente optaria por uma escola espanhola - o primeiro pelo IESE, e a segunda pelo IE -, mas, como diz esta última, se essa opção lhe ficar vedada, terá "todo o gosto em fazer um Lisbon MBA, porque tem imenso potencial e [reconhece] realmente o valor do MBA".

Nesta 19.ª edição dos Primus Inter Pares, os 4.ºs classificados foram António Vieira e João Abrantes, ambos com 23 anos e mestrados em Finanças, só que o primeiro pela Nova School of Business and Economics e o segundo pela Católica Lisbon School of Business and Economics. Estes terão direito a uma pós-graduação numa das escolas da lista não escolhidas pelos vencedores.

"A minha ideia sempre esteve em parar um pouco e depois derivar um bocadinho para a gestão, portanto, um MBA acho que é uma grande mais-valia", contou Maria José Cardoso ao Dinheiro Vivo, de sorriso rasgado, já no final da cerimónia depois de saber ter vencido. "Tenho um bom curso, uma boa escola de base, e vou agora reforçá-la com uma parte de gestão", disse referindo-se ao prémio ganho. Quanto aos planos futuros: "Eu penso muito em criar uma empresa e acho que ter esta parte da Engenharia Mecânica me permite fazer uma boa ponte eventualmente entre os engenheiros e os potenciais clientes."

Aliás, este é um fito comum também a Duarte Pereira. Ainda antes de saber a sua classificação, o vice-campeão disse na sua apresentação ao público que pretendia, no prazo de 15 a 20 anos, depois de potenciar a sua carreira e capacidades, abrir uma empresa no Alentejo, de onde é natural e contribuir para o desenvolvimento local. "Quero contribuir para deixar o meu Concelho de Serpa um pouco melhor do que quando o deixei."

Ao contrário, Maria do Rosário Rocha, que já está dedicada à área da Inteligência Artificial e "pretende trabalhar, especificamente, em tecnologia mas mais associada a uma vertente sustentável" disse ao DV: "Não é uma ambição minha ter o meu próprio negócio. No entanto, eu tirei Engenharia e Gestão Industrial, portanto, já é mais direcionada para a gestão e acredito que, aplicando a tecnologia à gestão seja possível ter um grande impacto sustentável."

O Prémio Primus Inter Pares 2022/2023 recebeu um número recorde de candidaturas, num total de 147. Os cinco finalistas destacaram-se entre o leque de candidatos, após várias provas de seleção, pelas suas capacidades técnicas, liderança, influência e impacto na comunidade.

Como salientou Francisco Pinto Balsemão, administrador da Impresa, dona do Expresso, e presidente do júri do concurso, "é uma triagem apertada e exigente e é importante sublinhar isso". Comentário que fez depois de descrever: "Tivemos 147 candidaturas e este ano houve mais candidaturas de mulheres do que nunca - foi um recorde e isso é bom sinal, também. Daí passámos para 89, daí para 24 e só depois foram escolhidos os cinco finalistas".

Fazendo eco das palavras do presidente executivo do Santander Portugal minutos antes, Pinto Balsemão salientou: "Este prémio, modéstia à parte, é uma excelente iniciativa, que quer puxar para cima, que é o que nós temos de fazer no nosso país, quer valorizar quem é bom e pode ser melhor, e quer servir Portugal. É disso que Portugal precisa: acabar com as lamúrias, em que somos peritos, acabar com a autoflagelação - somos peritos também nessa atividade -, ter orgulho, puxar para cima o muito que já fazemos bem e acreditar sempre que podemos e devemos fazer mais e fazer melhor. E essa é a vossa responsabilidade", terminou dirigindo-se aos cinco finalistas.

E continuou dizendo: "Eu vi, nas vossas respostas, que ao fim de uma carreira planeada de 20, 30 anos, alguns, praticamente todos dizem que querem voltar para Portugal, querem acabar a vossa vida - não é a reforma, é a vossa vida - profissional em Portugal. Isso é muito bom sinal, é sinal de que gente desta categoria, gente que arranjará emprego no estrangeiro muito facilmente gosta do seu país, acredita em Portugal, e quer que o país vá para a frente. Parabéns, muito obrigado.

Momentos antes, Pedro Castro e Almeida havia frisado: "Relativamente à Educação, há aqui um padrão em Portugal que eu não podia deixar de referir. É que nos últimos dez anos saíram 658 mil pessoas em idade ativa de Portugal, dos quais 200 mil licenciados, o que significa que o investimento de cerca de dois mil milhões de euros que o Estado fez na Educação destes jovens foi aproveitado por outros países." O responsável do Santander continuou dizendo que "o mais impressionante destas estatísticas, sondagens que são feitas a pessoas desta geração, é que cerca de 25% do talento que vai para a universidade diz que está propenso a emigrar e, dentro da Geração Z, pessoas com menos de 25 anos, 50% dos jovens dizem que gostavam de emigrar."

Pedro Castro e Almeida terminou a sua intervenção assumindo que sente ser responsabilidade social do Santander acionar o elevador social da formação dos jovens e lançou o desafio aos finalistas para um dia devolverem ao país aquilo que o país tanto lhes deu, ficando ou regressando e investindo em Portugal.

Originalmente publicada com data de 24 de junho de 2023

Diário de Notícias
www.dn.pt