O financiamento das administrações públicas está abaixo de zero desde o início do ano, tendo alcançado no final de agosto um valor negativo de 6,1 mil milhões de euros, de acordo com os dados divulgados esta terça-feira pelo Banco de Portugal (BdP).
Face a julho, o montante em questão subtraiu 400 milhões de euros, enquanto em comparação com os 1,5 mil milhões de euros negativos registados no igual período de 2022 observou-se uma redução homóloga do financiamento de 4,6 mil milhões de euros.
O supervisor atenta que um "financiamento líquido negativo indica que as aquisições líquidas de ativos financeiros pelas administrações públicas foram superiores às emissões deduzidas de amortizações dos passivos" - ou seja, de janeiro a agosto, as administrações públicas utilizaram parte dos fundos obtidos para financiarem outros setores da economia.
Assim, até ao oitavo mês do ano, indica o BdP, as administrações públicas financiaram os bancos em 10,8 mil milhões de euros, sobretudo através do aumento dos depósitos. Já o exterior foi financiado em 5,4 mil milhões de euros, por via da amortização de títulos de dívida pública portuguesa e da aquisição de títulos emitidos por não residentes, principalmente, pelos fundos de segurança social.
Em contrapartida, os outros setores residentes, com destaque para as famílias, que financiaram as administrações públicas em 10,1 mil milhões de euros, sobretudo através da aquisição de Certificados de Aforro, cujas subscrições somavam 33,8 mil milhões de euros no final de agosto.
Ainda sobre o financiamento do Estado nos primeiros oito meses de 2023, uma análise por instrumento mostra que o financiamento através de emissões líquidas de títulos e de empréstimos deduzidos de depósitos foi negativo, em 5,3 mil milhões de euros e em 700 milhões de euros, respetivamente.
O BdP atualiza as próximas estatísticas, respeitantes a setembro, no dia 24 de novembro.