Freeport passa a ser controlado pelo fundo que comprou a Brisa

APG, um dos 11 investidores que apelou à revisão da Lei da suspensão das rendas fixas nos centros comerciais, passou a controlar a Via Outlet.
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O Freeport de Alcochete e o Porto Fashion Outlet de Vila do Conde passaram a ser controlado a 100% pela gestora APG, o fundo holandês um dos compradores da Brisa, por 301 milhões. A venda da Via Outlets é a primeira operação de monta nos espaços comerciais, com impacto em Portugal, depois do eclodir da pandemia. O fundo APG foi um dos 11 investidores internacionais que apelou ao Governo e Presidente da República a revisão da Lei da suspensão das rendas fixas nos centros comerciais.

A operação, que deverá estar concluída no quarto trimestre, foi conhecida na quinta-feira após anúncio da gestora imobiliária britânica Hammerson, dona de metade do capital da Via Outlets, em joint-venture com o fundo holandês de pensões APG.

Fundada em 2014, a Via Outlets detém que detém 11 outlets na Europa, dos quais dois em Portugal, dois em Espanha e os restantes na Alemanha, Holanda, República Checa, Polónia, Suíça, Noruega e Suécia. Em Portugal a empresa investiu 20 milhões de euros em 2017 na remodelação do Freeport em Alcochete e o ano passado injetou 13 milhões na remodelação do outlet de Vila do Conde.

A alienação de posição foi conhecida depois de a Hammerson ter anunciado os resultados semestrais e a intenção de avançar para um aumento de capital, para se recapitalizar após a deterioração do desempenho devido à pandemia. O fundo APG detém 20% da Hamerson.

O fundo APG foi um dos 11 investidores internacionais - juntamente com a AM Alpha KVG, Commerz Real, Ceetrus, DWS, Klépierre, Light House, Mitiska Reim e Merlin Properties - que pediram ao Governo e ao Presidente da República a revisão da proposta do PCP aprovada no Parlamento que suspende o pagamento das rendas mínimas até março de 2020.

"Depositamos neste setor a confiança que nos transmite uma história de sucesso com quase quatro décadas" e "orgulhamo-nos do seu contributo significativo para a criação de emprego (mais de 100 mil pessoas de forma direta e 200 mil de forma indireta) e para a coesão territorial", salientam, na carta enviada na terça-feira ao primeiro-ministro, Presidente da República, ministro da Economia, líderes dos grupos parlamentares e à Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), noticiou a Lusa.

"Tudo isto é agora colocado em causa pelo regime excecional que suspende o pagamento de rendas fixas nos centros comerciais", medida que é "o contrário de tudo aquilo que é necessário neste momento: é uma medida desproporcional, desequilibrada, mal avaliada e radical. Hipoteca toda a cadeia de valor desta indústria, mas também destrói um dos ativos mais importantes de Portugal e da sua economia: a sua reputação enquanto país seguro para investir", apontam os investidores, alertaram.

No OE 2020 foi aprovado a suspensão das rendas fixas nos centros comerciais até ao final do ano.

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