Quando se olha o mapa dos participantes da Liga Espanhola 2022/23 vê-se pontinhos em todos os cantos do país, da Catalunha ao País Basco, passando pela Comunidade de Madrid, pela Andaluzia ou pela Galiza. Uma enorme faixa de território, no entanto, lado a lado com o Alentejo português, não tem nenhum representante no mais alto escalão do futebol espanhol: a Extremadura.
Aliás, ao longo da história quase centenária da Liga Espanhola só por quatro temporadas, duas através do CP Mérida e outras duas via CF Extremadura, da pequenina Almendralejo, a região esteve representada. Os dois clubes, no entanto, assim como o Badajoz, terceira força local, faliram no princípio do século XXI. O Extremadura até faliu duas vezes. Nasceu, uma terceira, no entanto, em 2022. E, desta vez, parece que para ficar.
Daniel Tafur, cidadão de Bermuda mas filho de um extremeño, é o responsável pelo sonho. Ex-banqueiro do Morgan Stanley, vê potencial de crescimento na região. Porque, apesar de praticamente não ter indústria e se dedicar quase exclusivamente à agricultura, a Extremadura produz jogadores como poucas regiões espanholas - não há clubes locais na Liga Espanhola mas há umas dezenas de bons futebolistas nascidos por lá espalhados por emblemas de outras regiões.
Tafur começou por recusar assumir a segunda versão do falido Badajoz, por estar envolvido em questões legais, mas acabou a aceitar liderar a terceira versão do duas vezes falido Extremadura. "Queríamos começar do zero", disse o investidor à revista Forbes. "Começando do zero podemos construir o que precisamos, sem termos o peso de dívidas e infraestruturas antiquadas, para alcançar sucesso a longo prazo".
Para o dono do Extremadura, carregar o nome da região e não apenas o de uma cidade pode unir todos os extremeños em torno da marca e potenciar a cultura futebolística, muito forte, local - Rafa Benítez, treinador de topo, trabalhou lá e José Antonio Reyes, habilidoso internacional espanhol com passagem pelo Benfica, falecido em 2019 num acidente de automóvel, nasceu nas redondezas.
"Há um caminho auspicioso à nossa frente", resume Tafur. Uma história que pode inspirar o vizinho Alentejo, também afastado do centro do futebol português há décadas.