As empresas recorrem ao Iscte Executive Education (Iscte EE), o braço para a formação de executivos do Iscte, para tratar desde "dores profundas" a "feridas ligeiras". É assim que José Crespo de Carvalho, diretor executivo da instituição responde quando questionado sobre o tipo de ajuda que as empresas solicitam. "Dores quando estruturais, tocam muito em cultura, que é sempre o mais complexo. Feridas mais superficiais porquanto há soft learning e soft skills que são críticos. Há uma grande preocupação com o employer centricity e a individualidade de cada um, o que conduz frequentemente a avaliações de entrada e a planos de desenvolvimento pessoal", adianta o diretor executivo do Iscte EE sobre os programas desenvolvidos.
A escola oferece cursos para executivos e programas feitos à medida para as empresas. "A oferta corporativa do Iscte Executive Education é customizada. É por isso muito dependente das necessidades dos clientes. Em data science e em liderança temos tido vários pedidos muito específicos que irão dar grandes e interessantes programas", sublinha o responsável, questionado sobre as novidades da oferta deste ano.
A procura, garante José Crespo de Carvalho, tem sido grande e "empresa que vem mantém-se fiel. Fica satisfeita e repete". Fnac, Worten, El Corte Inglés, REN, ProOptica e Águas de Portugal são algumas das empresas que já recorreram a estes programas.
Mas a ambição do Iscte EE é mais vasta. "Temos procurado mais e mais empresas externas a Portugal, porquanto o nosso processo de internacionalização é inexorável. E há grandes empresas externas onde estamos a conseguir entrar muito bem", revela.
A internacionalização da atividade é mesmo a palavra-chave na estratégia da instituição: "Desde que começámos a aventura na formação de executivos que mantemos os mesmos objetivos. Internacionalizar, abrir catálogo e criar novos produtos/serviços e ampliar a oferta in-house e internacional. Temos repetido isto inúmeras vezes, mas a verdade é que estes são os pilares estratégicos que, nem com a pandemia, nem com a crise inflacionista, se alteraram", diz ao Dinheiro Vivo.
O mercado da formação de executivos conta com vários grandes players em Portugal, mas José Crespo de Carvalho não teme a rivalidade de outras escolas. "A concorrência é normal e cada vez melhor, o que nos faz fazer sempre melhor. No Iscte Executive Education somos muito pró-mercado e pró-concorrência e com a concorrência aprendemos muitíssimo. Felizmente ela é muito boa. Mas Portugal é um red ocean e há um certo novo riquismo nas escolhas das escolas. É o que é. É uma mera constatação e não com qualquer sentido pejorativo", ressalva. O Iscte EE disputa mercado com universidades como a Nova SBE, Católica-Lisbon, ISEG e Porto Business School.
"Importa-nos muito, também, o mercado internacional. Portugal é um país pequeno e limitadíssimo em termos de mercado. Olhar para fora é sempre o que Portugal deve fazer", acrescenta.
Além dos programas costumizados, a oferta do Iscte EE contempla o Executive MBA e mestrados e pós-graduações em diferentes áreas.
E aqui os rankings têm um papel relevante a desempenhar. "Não são tudo, mas uma referência importante. O Iscte Executive Education está entre as cinco escolas portuguesas que estão no Financial Times (FT). Subir é sempre um objetivo, para nós e para qualquer escola. Estamos muito contentes, por exemplo, com o posicionamento continuado, consistente e cada vez mais alto do nosso Executive MBA. Subimos dez lugares este ano", destaca José Crespo de Carvalho. A Nova SBE e a Católica-Lisbon são as escolas mais bem posicionadas nesta lista do FT.
A atração de alunos internacionais tem tido uma "enorme evolução", afirma. "O nosso objetivo é fecharmos o ano de 2024 com 50% de alunos internacionais em formação de executivos. Neste momento deveremos estar nos 30%". A escola está de olhos postos na Ásia, Médio Oriente e América Latina.
O custo dos programas oferecidos depende da duração, tipologia e formato do curso. "Não há custo fixo, porque não é catálogo, nem poderia ser. É mesmo feito à medida das reais necessidades".