"Foi uma surpresa", afirma o vice-presidente da Câmara Municipal de Vila do Rei, Paulo César, sobre a forma como soube da desistência do projeto Herdade Foz da Represa pela comunicação social. A construção do empreendimento deveria ter arrancado o ano passado, mas os dez hectares de terreno foram consumidos pelas chamas dos fogos que assolaram a região Centro no verão passado.
Até à data, a autarquia refere não ter sido informada sobre a decisão de “abandono ou deslocalização” do projeto e aguarda uma notificação por parte do promotor. “Desde abril que temos vindo a tentar contactá-los para perceber o estado do processo”, alega Paulo César, acrescentando que aguardavam “apenas pela entrega dos elementos em falta junto da APA (Agência Portuguesa do Ambiente)”.
"Lutámos bastante. Conseguimos, inclusive, que o Plano de Ordenamento da Albufeira de Castelo do Bode, que por acaso está em revisão, fosse suspenso em Conselho de Ministros para a concretização do empreendimento, mas não havendo pretensão de edificar ficamos de mãos atadas em função de uma decisão que pode vir a ser tomada daqui a quatro ou cinco anos e é algo que nos entristece", salienta.
O vice-presidente do município de Vila de Rei lamenta ainda que a situação ponha em causa a criação de emprego naquela zona. O hotel deveria vir a criar cerca de dez postos de trabalho diretos.
Em reação, Nellson Soares, um dos responsáveis pela Herdade Foz da Represa, garante, no entanto, que a "deslocalização" do projeto foi comunicada à autarquia e admite nova localização "dentro da região Centro".
Segundo o responsável, o projeto a cargo do HFR Boutique Resort & SPA está empatado há cinco anos e afundou "centenas de milhares de euros". A sua suspensão em Vila de Rei deve-se, essencialmente, "aos incêndios florestais de 2017" que deflagraram no local.
Na sua opinião, é necessário que "a natureza se recomponha". "Nem as árvores ficaram de pé. O que existe é um vale, pedreiras queimadas e troncos caídos. Não há rigorosamente mais nada", comentava.
Nellson Soares acrescentou que "o Plano de Ordenamento da Albufeira de Castelo do Bode é extremamente restritivo, no sentido em que a reflorestação, por exemplo, não pode envolver meios mecânicos, tem de ser feita manualmente".
"É frustrante andar às voltas com isto desde 2012", reconhece, sublinhando que pretendem encontrar uma propriedade para avançar com a construção "o mais rapidamente possível".
*Notícia atualizada às 10h25 de 02/08/2018 com fotogaleria