Minipreço aposta em parcerias com pequenos produtores regionais e locais

Miguel Guinea Valle, CEO do Grupo DIA Portugal, dono da cadeia de supermercados Minipreço, acredita que as empresas de distribuição têm a responsabilidade de ajudar os pequenos produtores que tiveram dificuldade em escoar os seus produtos na pior fase da pandemia.
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Desde 2011 que se comemora, a 26 de abril, o Dia da Produção Nacional, uma efeméride destinada a chamar a atenção para os produtores portugueses e a sensibilizar a população portuguesa, em especial os consumidores, para a importância social e económica de comprar o que é feito no país. Nesta data, supermercados e hipermercados destacam os produtos nacionais - geralmente identificados com um símbolo próprio - e incentivam o seu consumo em detrimento de alternativas importadas.

Para assinalar este dia, o Dinheiro Vivo conversou com Miguel Guinea Valle, CEO do grupo DIA Portugal, dono da insígnia Minipreço. Numa entrevista conduzida por Joana Petiz, diretora do Dinheiro Vivo, o líder da marca em Portugal revela o que o grupo tem feito em prol da produção nacional, quais as apostas futuras para melhorar a proximidade ao cliente e quais as dificuldades sentidas nestes meses de pandemia. O Grupo DIA - Distribuidora Internacional de Alimentação nasceu em Espanha, em 1979, com a abertura da sua primeira loja em Madrid. Atualmente está presente em quatro países - Espanha, Portugal, Argentina e Brasil - e detém cerca de 7300 lojas, nas quais emprega mais de 40 mil pessoas. Para abastecer esta vasta rede de lojas, a multinacional trabalha com 35 plataformas logísticas, que ocupam qualquer coisa como 670 mil metros quadrados de superfície nos países onde opera. Em Portugal trabalha com a insígnia Minipreço, cadeia que abriu em Lisboa em 1979 com o conceito de loja discount e que foi depois adquirida pelo Grupo DIA em 1998, passando o grupo a operar em território nacional apenas com esta insígnia, embora mantendo a marca Dia% nos produtos próprios.

Miguel Guinea Valle explicou, no decorrer da conversa, que o Minipreço está a desenvolver em Portugal uma rede de parcerias com produtores nacionais, que abastecem, numa lógica de cada vez maior proximidade, as cerca de 550 lojas do país com produtos regionais e locais. Como explica, a pandemia de covid-19 que o mundo está a enfrentar, acelerou a negociação com os pequenos produtores, já que as empresas de distribuição têm uma responsabilidade para com as comunidades onde estão presentes. "O confinamento mudou a vida não só dos portugueses, mas de todo o mundo, e esta fase, que está a acelerar muitos processos de mudança, tem exigido muito esforço, não só do DIA Minipreço mas de todos os retalhistas em Portugal. Fomos considerados, desde o início, como um serviço essencial, e trabalhamos para ajudar a economia portuguesa a ultrapassar esta situação complicada", afirma. Acredita que, quando acontecem situações difíceis, a solidariedade surge naturalmente. "No Minipreço sabíamos que, sem o canal Horeca a funcionar, havia produtores nacionais, produtos de transformação, de frutas e legumes, de talho, e de outros produtos muito específicos, que, de um dia para o outro, se encontraram sem metade do seu canal de distribuição. Por isso, fizemos um esforço importante para os apoiar", refere a propósito.

Para isso, o grupo estabeleceu um programa de parcerias com pequenos produtores nacionais, que têm a vantagem de ter flexibilidade e resiliência, características que o líder do Minipreço considera muito relevantes. "Essa resiliência em trabalhar em crise criou relações importantes com fornecedores com os quais não trabalhávamos antes. Esse programa torna-nos cada dia mais próximo de produtores regionais e fornecedores mais pequenos de diferentes setores, com produtos que vão desde o chouriço da Serra da Estrela até às massas, passando até por uma qualidade diferente de tomate", explica. Revela que assinaram algumas destas parcerias num horizonte temporal de três anos, apoiadas em quatro pilares: as vendas, as promoções, a rentabilidade para ambas as partes e a sustentabilidade.

Miguel Guinea Valle afirma ainda que este programa descobriu relações de fornecimento interessantes, com a agilidade e flexibilidade próprias de quem tem paixão pelo que faz, o que também ajudou a marca que gere a fazer coisas diferentes. "Através das nossas 550 lojas de norte a sul do país e nas quais podemos distribuir produtos nacionais e regionais, ajudamos estes negócios a crescer e até mesmo a exportar para Espanha". E dá o exemplo da Iberopasta, marca de massas alimentícias, que está a desenvolver um pacote sustentável, em papel biodegradável, e que a cadeia está a introduzir em Espanha. "Este fornecedor de massas tem grande capacidade de inovação e, além disso a sua massa é um produto de qualidade superior, embalada num pacote inovador, sustentável. Está tudo preparado para o lançamento dessa embalagem em papel, em Portugal e que vai ter a marca própria do distribuidor", refere Miguel Guinea Valle. Quando questionado sobre a maior disponibilidade do consumidor para a questão da sustentabilidade ao comprar, por exemplo, produtos com uma embalagem biodegradável, como as referidas massas, explica, cauteloso, "que estamos numa fase difícil da economia, com o desemprego a aumentar, pelo que esta é uma tendência que poderá demorar a acelerar".

Este responsável diz também que a pandemia obrigou a repensar toda a cadeia logística - que funciona como numa fábrica - e que foi feito um grande esforço para otimizar a mesma, pois cada semana era diferente da anterior. "Repusemos, nos primeiros dias, produtos de higiene, como o papel higiénico, e produtos essenciais, como massas e farinha, que foram produtos estrela com ruturas, e tivemos que reorganizar tudo. Isso exigiu um esforço logístico ao nível do grémio e do retalho em Portugal muito grande", explicou. Relembra que tudo isto teve impacto nas margens do negócio, já que os volumes de vendas aumentaram, mas os custos também foram elevados. Miguel Guinea Valle fala em custos com seguranças à porta, para limitar o número de pessoas em loja, custos com horas extra devido aos funcionários que tiveram de ficar em casa com os filhos, custos com as medidas de higiene sanitária, entre outros.

Como rede de proximidade, o Minipreço quer estar cada vez mais próximo das comunidades, e continuar a oferecer a melhor relação possível entre o custo e a qualidade. "Estamos num processo de transformação acelerado, provocado pela pandemia, e atualmente temos lojas offline e lojas online. Uma parte importante do processo de descoberta que fizemos durante a pandemia foi que temos clientes digitais e temos clientes omnicanal, que compram tanto em loja física como em loja virtual. Acredito que parte do nosso futuro vai estar no equilíbrio entre o negócio offline e o negócio online. E vamos ser disruptivos. O Dia Minipreço em Portugal está a olhar para as novas tendências e queremos ser verdadeiramente relevantes neste setor", afirma o CEO. Nesse sentido, o grupo está a apostar também em parcerias para as entregas expresso, já trabalha com a Uber Eats, a Glovo e a 360hyper. "O mercado do retalho está a transformar-se de forma muito rápida e não podemos excluir qualquer situação. Estamos próximos fisicamente com a loja offline, somos muito próximos com a loja online, e vamos ser ainda mais próximos e mais rápidos a chegar aos clientes nas entregas. Queremos ter a proximidade de quando descem à porta do prédio tenham uma loja, quer seja offline quer seja online, ao seu serviço para cobrir as necessidades do dia a dia", finaliza.

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