O economista João Duque considerou hoje que a divulgação de novos buracos nas contas da Madeira deita por terra a tese de Portugal tinha as contas "mais ou menos regularizadas", igualando a Grécia "em atitude". "Um buraco de 500 ou 700 milhões não é milhares de milhões como aconteceu na Grécia, mas a questão não é tanto o montante, mas a atitude e, nesse sentido, igualamos a Grécia em atitude, porque andamos a sonegar ao mercado informação", afirmou hoje à Lusa o presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG). Em declarações no dia em que o Instituto Nacional de Estatística e o Banco de Portugal acusaram a Administração Regional da Madeira de ter omitido informação relativa às suas contas públicas, João Duque defendeu que a situação "empurra Portugal cada vez mais para dentro do buraco". "A todos que ajudaram a encobrir as situações, agradeço em nome de todos os portugueses, porque nos estão a empurrar cada vez mais para dentro do buraco. É pena que assim seja porque não nos ajuda em nada", declarou. O economista, escolhido pelo Governo para coordenar o grupo de trabalho que vai definir o conceito do serviço público na área da comunicação social, defendeu que "o que tem que acontecer no futuro é observar com muita clareza quais são as transferências que se fazem para a Madeira e depois os credores terão que acautelar o crédito que dão ao arquipélago". Para João Duque, "vai implicar um período de grande contenção e de grandes dificuldades para as pessoas da Madeira, mas não há muito a fazer a não ser pedir uma contenção muito grande". O défice orçamental de Portugal de 2008, 2009 e 2010 vai ter de ser revisto devido a um buraco nas contas da Madeira descoberto apenas nas últimas semanas pelo INE e Banco de Portugal.