A Kyndryl, que nasceu da cisão da unidade de infraestruturas e data centers da IBM, inaugurou esta sexta-feira um novo centro de inovação em Portalegre. O novo centro de excelência fica a cargo da Kyntech, subsidiária da Kyndryl dedicada ao desenvolvimento de centros de excelência.
Este é o terceiro centro da Kyndryl em Portugal. O primeiro foi em Tomar, seguindo-se Viseu e, agora, Portalegre. O grupo Kyndryl vinha a utilizar parte dos centros de excelência lusos da IBM (operados pela Softinsa), como parte do acordo estabelecido aquando da cisão.
O centro de inovação do grupo Kyndryl surge na sequência de uma parceria com o Instituto Politécnico de Portalegre (IPP). O novo espaço irá acolher uma equipa especializada nas áreas de automação e cibersegurança e, outra equipa, nas áreas da Internet das Coisas (IoT) e cidades inteligentes - ambas vão trabalhar em projetos da Kyndryl para o todo o país. Acrescem serviços transversais a grandes clientes na área da banca e retalho, em Portugal e Espanha.
Através da Kyntech, a Kyndryl já conta com cerca de 20 trabalhadores altamente qualificados nas áreas informática, eletrotecnia e telecomunicações, em Portalegre. Mas ideia - com este novo centro de inovação - é fazer a equipa local crescer.
Ao Dinheiro Vivo, José Manuel Paraíso, general manager da Kyndryl em Portugal, refere que o novo centro de inovação faz parte de uma estratégia de "descentralização e aproximação de instituições de ensino, por forma a influenciar a formação talento, captar e reter, promovendo o recrutamento nas zonas em que se encontram os nossos centros de inovação".
Relembrando que o trabalho do grupo na região começou com uma equipa de quatro profissionais, o gestor realça que "o centro de inovação Kyntech em Portalegre tem tido um crescimento bastante significativo e interessante, fruto dos projetos que esta equipa lidera".
"Além de criar postos de trabalho, através da captação de profissionais qualificados, a Kyndryl contribui para colocar o município de Portalegre no mapa das cidades inteligentes, através da disponibilização de plataformas e equipamentos capazes de tornar a cidade mais sustentável e inteligente", adianta José Manuel Paraíso.
Quer isto dizer que os alunos do IPP vão ter a oportunidade de estagiar no centro de inovação e, eventualmente, integrarem os quadros do grupo Kyndryl.
"Acreditamos que o aumento de projetos e clientes nas mais diversas áreas nos levará a um aumento gradual da equipa de acordo com as necessidades de resposta aos diferentes projetos, tal como tem vindo a acontecer desde o primeiro dia", complementa ainda o gestor.
Na inauguração do centro de inovação portalegrense estiveram presentes a ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, o presidente do Instituto Politécnico de Portalegre, Luís Loures, além de José Manuel Paraíso.
Afirmando que a Kyndryl ambiciona ser uma referência na definição de estratégias regionais, o general manager para Portugal explica que a empresa tem "desenvolvido um trabalho muito próximo com o município de Portalegre que pretende colocá-lo no mapa das cidades inteligentes".
A empresa tem disponibilizado a plataforma Green Solutions e "equipamentos capazes de tornar a cidade mais inteligente e mais sustentável, ambiental e financeiramente", de acordo com José Manuel Paraíso.
"Este trabalho, que pretendemos alargar a outros municípios da região, iniciou com um primeiro projeto, levado a cabo pela Câmara Municipal de Portalegre com o grupo Kyndryl, promovendo a Eficiência Energética global do território. Consistiu primariamente na implementação de uma infraestrutura de telecomunicações que dota o município de uma base tecnológica que permitirá a comunicação entre todo um complexo de sistemas inteligentes, permitindo construir índices e monitorização dos mesmos", explica o responsável.
Num primeiro momento, a Kyndryl forneceu um sistema de luminárias inteligentes, que permitiu gerir a iluminação pública na cidade portalegrense. E há já resultados. José Manuel Paraíso fala "numa redução estimada de cerca de 79% no consumo energético, contribuindo assim para uma poupança na ordem de meio milhão de euros e de uma redução da pegada ecológica do município estimada em mais de 700 toneladas de emissões de dióxido de carbono.
Para o futuro -e já a partir deste novo centro de inovação - a Kyndryl pretende fornecer "um sistema de mobilidade urbana de pessoas e veículos, considerando a possibilidade futura de adicionar outros sistemas na área da eficiência energética e sustentabilidade ambiental, como a gestão da distribuição e do consumo da água, o controlo e automação de sistemas de regas, entre outros".
O grupo Kyndryl emprega cerca de mil trabalhadores em Portugal. Segundo José Manuel Paraíso, todos os quadros "trabalham transversalmente para entregar o melhor serviço aos clientes, seja a partir da sede em Lisboa ou num dos outros centros de inovação em Tomar e Viseu".