

O Millennium bcp apresentou os resultados do primeiro semestre de 2026, reportando um lucro líquido de 565,8 milhões de euros, uma subida de 12,7% face ao período homólogo.
Num comunicado divulgado no site da CMVM, o banco liderado por Miguel Maya refere que este desempenho traduz “a capacidade de gerar valor” do grupo.
A margem financeira atingiu 1,49 mil milhões de euros, mais 3,4% do que no período homólogo de 2025, impulsionada pela atividade em Portugal, onde se verificou uma descida do custo dos depósitos.
O produto bancário consolidado ascendeu a 1,9 mil milhões de euros, um crescimento de 5,5%, suportado pela evolução das comissões (+5,8%) e pelo aumento do resultado de operações financeiras, influenciado pela venda de ativos de recuperação de crédito.
O rácio de eficiência situou-se em 36,9%, em linha com o período anterior, enquanto na atividade doméstica se fixou em 32,4%.
No balanço, o crédito a clientes cresceu 8,5%, para 63,8 mil milhões de euros, e os depósitos e outros recursos de clientes aumentaram 8,5%, atingindo 93,2 mil milhões de euros. A relação crédito‑depósitos manteve-se estável em 68,5%.
A qualidade dos ativos melhorou: os NPE desceram para 2,2% (de 2,7%) e o nível de cobertura subiu para 97,2%. O custo do risco permaneceu em 32 pontos base.
O banco assinala ainda a redução dos encargos associados ao crédito hipotecário em moeda estrangeira na Polónia, que passaram de 276,7 milhões para 96,7 milhões de euros, contribuindo para a evolução dos resultados.
Melhor semestre de sempre
Depois de, no ano passado, o banco ter registado os maiores lucros de sempre - 1018 milhões de euros -, neste semestre manteve o rumo de bater recordes. Com lucros de 565,8 milhões de euros, foi o melhor semestre de sempre para a instituição liderada por Miguel Maya.
"Foi mais um semestre bastante bem conseguido e é o resultado de toda a transformação do banco, que tem vindo a ser feita pelas equipas do banco ao longo dos anos. E estou confiante de que a forma como servimos a economia e os nossos clientes, vai permitir continuar a criar valor para a sociedade, os acionistas e os trabalhadores", disse o CEO do BCP durante a conferência de imprensa que se seguiu à apresentação de resultados.
Mas recusou-se a antecipar novos lucros recorde em 2026, dizendo apenas que a gestão está confiante "na execução do plano estratégico do banco", e deixando os resultados anuais para o tempo deles.
Na mesma ocasião, o responsável da instituição aproveitou ainda para esclarecer que o aumento das comissões registado no período não se prendeu com preçário, mas sim com um aumento da base de clientes, dos recursos e de serviços, no geral, e destacar a contribuição do AtivoBank para as contas do grupo: o banco digital registou um resultado líquido de 30,4 milhões de euros, mais 38,1% do que período homólogo. No mesmo sentido, os resultados líquidos na Polónia tiveram uma evolução positiva, com o Millenium Bank a reportar 166,9 milhões de euros, o que significa um crescimento na ordem dos 28,7%.
Por outro lado, o Millennium bim, em Moçambique, registou uma queda nos lucros, que Miguel Maya desvalorizou, salientando que a operação continua a ser positiva, e afastando qualquer intenção de sair daquela geografia.
"Não temos nenhuma intenção de sair de Moçambique. Também no passado tivemos alturas em que Portugal estava mais difícil e era compensado pelas operações internacionais; agora podemos ter de compensar Moçambique, mas não há razão nenhuma para desinvestir dessa operação, que continua a ser positiva", repetiu o responsável quando questionado.
Crédito aumenta mas não preocupa
Numa altura em que os bancos se preparam para acolher as novas recomendações macroprudenciais do Banco de Portugal (BdP), que entram em vigor já no próximo sábado, e que apertam as regras da concessão de crédito, Miguel Maya afirmou que concorda genericamente com a opção do regulador, e salientou que "o Banco de Portugal procura andar à frente dos acontecimentos e procura andar à frente do mercado". Portanto, não olha para estas alterações com preocupação - ou seja, não acredita que o supervisor as tenha implementado por acreditar que a banca deu crédito a mais, mas sim porque é preciso antecipar potenciais alterações na economia.
Afirmou ainda que espera um impacto de cerca de 5% no crédito à habitação, com a aplicação das novas medidas - sendo que uma das mais penalizadoras para os clientes é a redução da taxa de esforço permitida - mas afastou grandes problemas. "O BCP tem soluções para os jovens, está empenhado em permitir aos jovens adquirir habitação, portanto consultem-nos que hão-de encontrar equipas que os ajudam a encontrar soluções", referiu ainda.
"Acho que há espaço para crescimento tanto no crédito à habitação como no crédito ao consumo, não acho que haja nenhum aquecimento excessivo e acho que alterações do BdP, algumas delas, faziam sentido fazer e subscrevo-as", reiterou.
Durante o encontro com jornalistas, realizado na sede do Banco, no Tagus Park, em Paço de Arcos, o CEO do BCP aproveitou ainda para afastar receios sobre a economia nacional, mais uma vez confrontado com o aumento da concessão de crédito, desta vez às empresas, salientando que "as empresas têm mostrado que têm capacidade de adaptação, e capacidade para encontrar novos mercados", e que está " confiante de que as empresas portuguesas têm conseguido melhorar".
"Que há situações especificas, há, e vai continuar a haver, porque sempre que as empresas não têm capacidade de adaptação, há problemas. Mas nem o que se passa nas empresas, nem os dados do emprego - que são os mesmos que vocês conhecem, os do INE, são motivos de especial preocupação", concluiu.
As ações do BCP fecharam a sessão desta quarta-feira, 29 de julho, a cair 3,14% e a valer 0,033 euros.