Biodroid: como se fazem vídeojogos em Portugal

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Se há personalidade que

garante que um vídeojogo vai receber atenção é o internacional

português Cristiano Ronaldo. Foi precisamente o jogador português o

protagonista de um dos mais conhecidos jogos da Biodroid, "Cristiano

Ronaldo Freestyle".

A empresa portuguesa, criada há cerca de

cinco anos, está agora à procura da sua primeira ronda de

financiamento institucional. Segundo o CEO Diogo Horta e Costa, serão

necessários 1,5 a 3 milhões de euros para concretizar os planos da

tecnológica.

As

empresas da área de jogos são conhecidas por terem investimentos

significativos, porque têm projetos grandes", refere, em

entrevista ao Dinheiro Vivo. "E não estou a falar de financiar o

desenvolvimento de um jogo. Estou a falar de financiar a operação

da empresa, que tem multi-projetos." Todos os jogos que a empresa

lança abrangem pelo menos oito línguas, um investimento a pensar

nos mercados mais importantes, incluindo o asiático.

A

Biodroid foi catapultada para o reconhecimento mundial quando fez uma

parceria com a marca de surf Billabong e lançou o jogo "Billabong

Surf Trip", em 2010. Primeiro disponível para iOS da Apple, em que

atingiu 600 mil downloads, e já este ano para Android e Sony Xperia,

colocando o título perto de um milhão de descargas. No mesmo ano,

lançou o jogo infantil Miffy's World para a Nintendo Wii e DS e

adicionou a versão para computador em 2012.

Mas a Biodroid nem começou

por ser uma empresa virada apenas para os jogos. Foi criada no final

de 2007 com o intuito de produzir "conteúdos

digitais de entretenimento", como caracteriza Diogo Horta e Costa.

Depois viu uma oportunidade na loja de aplicações da Apple, que

surgiu meio ano mais tarde, e entretanto veio a revolução dos

smartphones e tablets. São plataformas que permitem desenvolver um

jogo com custos entre os 150 e os 200 mil dólares, seguramente menos

dinheiro que um título para PlayStation 3. O que não significa que

a Biodroid se tenha desinteressado das consolas e jogos de

computador. Pelo contrário, o que a empresa está a desenvolver é

uma estratégia inovadora.

"Estamos

a lançar um conceito de trans-plataforma", indica o executivo. Não

se trata apenas de colocar o mesmo jogo em várias plataformas, como

smartphones e consolas; o que a Biodroid pretende é criar diferentes

versões do mesmo jogo conforme o dispositivo a que se destine. "Isso

é inovador na indústria de jogos", frisa.

Para 2013

está previsto o lançamento de cinco novos jogos, além de um novo

título em parceria com a marca norte-americana MegaRamp. Horta e

Costa explica que este é um momento interessante na indústria, em

que o retalho está a alterar-se. "Há menos títulos mas têm

vendas cada vez mais fortes." A expectativa é de que o mercado

cresça 4% a 5% em 2012, atingindo os 70 mil milhões de dólares.

"Esse mercado mudou muito nos últimos anos. Cada vez há menos

títulos e há mais sequelas de títulos que tiveram muito sucesso",

adianta.

Com os

jogos que já tem no mercado, seis, a Biodroid espera aumentar o

volume de negócios em relação ao ano passado, em que as vendas

chegaram aos 660 mil euros. "Quanto mais títulos no mercado maior

será a escala. A ideia é ter um crescimento sustentado anual na

ordem dos 30% a 40% ou mais."

Este crescimento

também será apoiado na nova área da empresa, Biodroid

Applications, que abrange o desenvolvimento de aplicações para

áreas como saúde, segurança ou educação. Um exemplo é a

aplicação para Facebook "Rural Valley", em conjunto com o

Instituto Superior Técnico, outro é a aplicação +Music,

uma "pauta para tablets" criada para a apresentação do Samsung

Galaxy Note 10.1.

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