

Os mercados mostram ânimo a abrir a semana, em função do acordo de paz estabelecido entre os EUA e o Irão. Ao mesmo tempo, o preço dos contratos futuros de petróleo volta a cair, para mínimos de três meses.
Na manhã desta segunda-feira, 15 de junho, o índice Euro Stoxx 600 sobe perto de 0,6%, pelas 10h40. Dito isto, já recuperou das perdas que registou desde o início da guerra entre os EUA e o Irão, ou seja, desde o fecho da última sessão de fevereiro.
O mesmo acontece com o índice de referência de Itália. Em simultâneo, Espanha, França e Alemanha vão mais além, com ganhos acima de 1%, depois de terem estado entre os que mais perderam terreno em resultado da guerra.
Em contrapartida, o britânico FTSE 100 sobe 0,06% e o PSI, em Lisboa, até perde 0,44%. Isto porque os dois índices estão entre os que menos perderam nos últimos meses.
Na origem destas variações está o aumento do apetite pelo risco, já que o acordo de paz leva a crer num maior crescimento económico e desaceleração da inflação, entre outras variantes. Não obstante, os mercados continuarão atentos a possíveis alterações futuras - que se repetem quase desde o início da guerra.
A contribuir para as subidas generalizadas está a migração de capital que estava investido em contratos futuros de petróleo. Prova disto é que o Brent (referência europeia) está a cair 4,88% até aos 83,07 dólares por barril. Em simultâneo, o WTI (referência em Nova Iorque) recua 5,17% e fica-se pelos 80,49 dólares por barril.
Dito isto, ambos estão no patamar mais baixo desde o dia 10 de março, o que significa que registam mínimos de três meses. Na base está a redução das tensões face à escalada sentida nas semanas seguintes àquela data. Recorde-se que, no final de abril, o Brent atingiu um máximo desde o início da guerra em torno dos 122 dólares por barril.
Na origem está a perspetiva de que o acordo coloca mais próxima uma eventual estabilização das relações entre os EUA e o Irão (há mais dúvidas no que diz respeito a Israel). Esta situação poderá permitir a reabertura do estreito de Ormuz, o que significaria um aumento da oferta disponível no mercado, tendo como efeito direto uma redução no preço.
Para tal, muito contribui a decisão de Trump de levantar o bloqueio dos EUA naquela área, implementado há dois meses. Falta ainda que o Irão faça o mesmo, relativamente ao bloqueio realizado pelo país do Golfo, em resposta aos ataques iniciais dos EUA.
Câmbio também mexe e minérios reagem
O mercado cambial regista igualmente alterações. O euro está a avançar 0,34% face ao dólar. Dito isto, um euro está agora a ser negociado por 1,1608 dólares.
O ouro beneficia deste contexto e está em alta, na sequência de ser um dos ativos que mais desvalorizaram desde o início da guerra. Os futuros do próprio estão a ganhar 2,90% e alcançam os 4.361 dólares por onça. Ao mesmo tempo, a prata sobe 4,22%, até aos 70,843 dólares por onça.
Recorde-se que os dois minérios registaram fugas agressivas nos últimos meses, já que os investidores procuraram realizar mais-valias, em função da queda transversal à larga maioria das bolsas.
Ásia floresce com Japão em forte alta
Com a sessão já encerrada nas bolsas asiáticas, o sentimento foi particularmente positivo, acima daquilo que se observa, até ao momento, na Europa. Os principais índices das mais importantes bolsas asiáticas reagiram de forma positiva ao acordo, de tal forma que todos fecharam no 'verde'.
O destaque vai para o Japão, visto que o Nikkei 225 subiu 5,33%. Este é o índice de referência da bolsa de Tóquio e renovou os máximos históricos, ao superar pela primeira vez acima dos 69 mil dólares. Para tal, beneficiou, em grande medida, do disparo nas ações do Softbank Group, que é um dos grandes investidores do globo no ecossistema de Inteligência Artificial (IA), já que tem grande investimento na OpenAI, por exemplo.