A feira popular pode já não existir, mas Lisboa continua a ter
uma montanha-russa: a bolsa. Os investidores pagaram bilhete e, ao
longo dos últimos cinco dias, andaram num constante sobe e desce. A
primeira descida abrupta aconteceu logo no início da semana, quando
o incumprimento da Grécia era dado como inevitável e já todos
falavam que a Alemanha se estaria a preparar para o último capítulo
da tragédia grega. Mas à última da hora, os carris mudaram de
direcção e, até o fecho da semana, a tendência foi sempre de
subida. A Alemanha e a França asseguraram que a Grécia não vai
sair do Euro, a China disponibilizou-se para comprar dívida europeia
e os bancos centrais mundiais injectaram adrenalina nos mercados. No
final da viagem, o saldo da montanha-russa acabou por ser positivo e
Lisboa fechou com ganhos de 1,6%. Depois de uma semana em que os
nomes Lehman e Kerviel voltaram a ser escritos, nunca por bons
motivos, a próxima promete continuar a ter a crise de dívida como
condutor para mais uma viagem nos mercados.