De um lado do ringue, Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede), com perto de 20% e de 15%, respetivamente, nas sondagens para as eleições presidenciais de Outubro, e por isso na liderança da corrida – se excetuarmos Lula (PT), claro, cuja candidatura é improvável.
Do outro lado, Geraldo Alckmin (PSDB) e Henrique Meirelles (MDB), com horas e horas de tempo de antena, dezenas de congressistas, centenas de prefeitos, estruturas partidárias sem comparação com mais ninguém - a não ser, claro, com o PT de Lula, que também tem dezenas de congressistas, centenas de prefeitos e uma hora de propaganda.
Pelo contrário, Bolsonaro e Marina, candidatos nomeados por micro-partidos, não vão além de 7, ele, e 20 segundos, ela, de marketing televisivo.
Em contrapartida, na última pesquisa de opinião, a cargo do Instituto Ibope, Alckmin não passava dos 6% das intenções de voto. E Meirelles de envergonhadíssimo 1%.
Resumo da ópera eleitoral até ao momento: uns têm grupos parlamentares, implantação no Brasil e tempos de antena generosos, ou seja, máquinas partidárias do seu lado; outros dispõem de popularidade e carisma, ou seja, de capital humano. Outubro de 2018 será o resultado da luta do homem contra a máquina.
Quem vencerá? Eis a questão.
Para a responder, é necessário fazer antes outras perguntas: como o capitão na reserva Bolsonaro e a ambientalista Marina vão contornar a falta de máquina? São ambos fortes nas redes sociais, principalmente o primeiro, o que no mundo de hoje pode suprir a ausência na TV. Suprirá? Bolsonaro ainda negoceia com pequenos partidos e Marina corteja Ciro Gomes, um candidato com votação razoável e máquina partidária de médio porte: conseguirão atrair outros partidos para as suas candidaturas – cada partido vale o seu peso em segundos de TV – no tempo que resta para o sufrágio?
Alckmin, ex-governador de São Paulo, cujos gestos forçados e tensos não cativam o eleitor comum, vai tomar um banho de marketing na TV capaz de o transformar num preferido do povo? Meirelles, ex-ministro das finanças, longe de ser jovem e carismático, conseguirá afastar a imagem de braço direito do impopular Michel Temer? Os prefeitos e governadores aliados de ambos, espalhados pelo país afora, ajudá-los-ão a penetrar nas profundezas do Brasil?
Nunca uma eleição esteve tão difícil de prever, queixam-se os cientistas políticos, porque nunca se verificou uma clivagem tão grande entre bons candidatos e grandes partidos, entre homens e máquinas. Ninguém tem as duas coisas do seu lado.
Aliás, há quem tenha. Mas está preso, impedido de se candidatar e até de falar em público.