Assim falou José Manuel Durão Barroso

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Numa recente Smart Discussion do Grupo de Partilha Sharing Knowledge, o tema da Nova Ordem Global em que estamos a viver foi objeto de uma lição de excelência por parte de José Manuel Durão Barroso. A partir de Londres, o reputado estadista e pensador teve oportunidade de apresentar uma radiografia muito completa e estruturada das principais condicionantes e tendências do mundo em que vivemos e do seu impacto na nossa sociedade e economia - ficou claro para todos os presentes que a incerteza e complexidade deste novo tempo trouxe novas perguntas que exigem novas respostas e soluções diferentes das tradicionais. Assim falou José Manuel Durão Barroso.

Tive o grato prazer de conhecer José Manuel Durão Barroso há pouco mais de 25 anos - estava então a concluir o novo Mestrado em Ciência Política lançado por João Carlos Espada na Católica e a propósito dum trabalho de investigação que então realizei tive oportunidade de contactar aquele que tinha sido há pouco tempo Ministro dos Negócios Estrangeiros e se encontrava então em Georgetown, em Washington, em dedicados trabalhos letivos e de investigação. Ficou-me desde então esta nota de profunda capacidade de pensamento e conhecimento de José Manuel Durão Barroso, que tem sabido transportar de forma única para o espaço do debate público e da política estratégica de alto nível internacional.

A Ordem Internacional não se constrói por mero decreto e segundo a opinião de referência do orador tem que assentar num verdadeiro compromisso estratégico de confiança entre os players do xadrez internacional - a base do sucesso desse contrato para o futuro está em larga escala ligada a esta ideia de um novo multilateralismo aberto e participado que infelizmente não tem conseguido assumir-se como a plataforma central destes novos tempos que estamos a viver. A sociedade aberta de Karl Popper que aprendi no referido Mestrado e pela qual José Manuel Durão Barroso tão bem ao longo da sua carreira tem lutado é hoje um desafio claro para todos e implica uma nova abordagem sustentada da relação entre as nações e os seus cidadãos.

Vivemos um tempo em que os exemplos contam muito. A sociedade global precisa de novas referências, como muito bem nos ensinam nos seus fantásticos textos pensadores como Daniel Innerarity, Anne Applebaum e Martin Wolf, entre muitos outros e mais do que nunca se torna um imperativo dar sinais de confiança a uma nova oportunidade para o mundo. Já não temos, como muito bem refere José Manuel Durão Barroso, a agenda da globalização que trouxe novos players como a China para o competitivo quadro da agenda internacional. Mas não estamos ainda no limite do indesejável protecionismo que tem aumentado em particular no mundo ocidental - caso dos EUA - e coloca dúvidas ao compromisso de confiança estratégico que ambicionamos. O Mundo Plano que há cerca de 20 anos Thomas Friedman tão bem nos apresentou sofreu muitas alterações mas ainda não acabou. Fica a esperança - que José Manuel Durão Barroso tão bem nos trouxe - de encontramos uma nova narrativa e um novo percurso com confiança.

(Nota: o autor escreve segundo o Antigo Acordo Ortográfico)

Francisco Jaime Quesado, economista e gestor - Especialista em Inovação e Competitividade

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