Competitividade: a alavanca do Norte e Centro

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No final do mês de março, a Comissão Europeia publicou a edição de 2022 do relatório de competitividade regional "EU Regional Competitiveness Index 2.0" (RCI 2.0), que mede as distintas dimensões de competitividade nas regiões NUTS II da União Europeia.

Em termos globais, é percetível que as regiões menos desenvolvidas têm vindo a melhorar a sua competitividade, mas continua também muito visível a persistência de grandes disparidades entre os territórios, com o índice a variar entre 44,9 (uma região da Roménia) e 150,9 (uma região da Holanda).

Quase sempre, as regiões das capitais são as mais competitivas, mas o "gap" com as demais regiões é menor nos Estados-membros mais competitivos. A Comissão sublinha que as regiões mais competitivas têm vantagens significativas: o PIB per capita é maior; a população tem melhores condições estruturais; há menos jovens que não estão no emprego, nem na educação ou formação (NEET); e são particularmente atraentes para os recém-formados, por ser mais fácil encontrar aí um emprego.

Portugal continua a apresentar um nível de competitividade global abaixo da média europeia, mas o seu posicionamento relativo subiu do 21.º lugar, em 2019, para o 15.º, em 2022 (uma posição acima da nossa vizinha Espanha). Nesta evolução, é de sublinhar os contributos muito significativos das regiões Norte e Centro, particularmente naquilo que tem a ver com uma melhoria assinalável nos pilares da inovação empresarial. Não será por acaso, são duas regiões com um perfil de elevada especialização industrial e de forte vocação exportadora, que, com o enorme esforço do seu tecido empresarial, permitiram alavancar a competitividade de Portugal no seio dos 27 países europeus.

Os resultados do RCI 2.0 mostram como as regiões europeias ainda precisam do apoio da União Europeia para melhorar a sua competitividade e estreitar as assimetrias persistentes. Neste contexto, os fundos europeus estruturais, nomeadamente o Portugal 2030, constituem uma importante fonte de financiamento e de forte estímulo ao investimento empresarial, potenciadores da melhoria da competitividade do setor produtivo e, consequentemente, do desempenho competitivo das regiões e do nível de desenvolvimento e bem-estar das suas populações.

Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP)

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