Marcelo tentou e não conseguiu. Uma ala do PS e do Governo andava a tentar sem qualquer resultado. E quando António Costa, finalmente, sem os jogos de desgaste de ministros para se poupar a si, o ia demitir em comunhão solene com Marcelo... o Correio da Manhã tomou-lhes a dianteira e dissolveu Galamba!
Tantas vezes lhe tocou à porta, tanto o enfrentou, até o entrevistou em pijama em plena rua! (Mas senhores, quem vai de pijama para a rua em Portugal passear o cão, ainda não estamos em Amesterdão!!!) Tantas vezes o Correio da Manhã o enfrentou que, Galamba demitiu-se. Foi desta vez, foi mesmo! Irrevogável!
Hoje irá voltar ao Parlamento, provavelmente para a última fila, ou talvez não... são feitios.
O que Galamba não percebe, nem parece querer perceber, é que foi ele mesmo que se pôs a jeito. Não foi a saraivada de bofetada do computador. Não foram as escutas. Nem as demissões da Tap... Foi a arrogância, Galamba perdeu pela arrogância. Pôs-se a jeito e o Correio da Manhã adora esse tipo de personagens. Há um prazer especial em desdizer em pessoas que nos olham de cima. Não foi o haxixe, provavelmente, até ganharia ai um grupo de apoiantes; não foi o brinco, porque era fixe ter finalmente um ministro despoeirado e icónico... Foi o feitio. A pose. A soberba.
Galamba tinha todas as características para agradar ao Correio da Manhã; e como não tem o pecúlio suficiente para comprar o jornal!, e continuar a ser como é; Galamba devia fazer uma introspecção e perceber que com este caminho nada mais pode alcançar.
Um político é um representante do povo, digam-me uma pessoa que goste de ser representado por uma figura de perfil rude, convencida, sem pingo de humildade e colérico? Galamba passou para o lado negro da força! (Star Wars, iconografia jovem, certo?)
João Galamba é um homem ambicioso, durante este deserto que irá ter que atravessar, podia fazer ioga, retiros na natureza. Acalmar. E lembrar-se sempre que as pessoas não se revêm em criaturas que transmitem energias tóxicas. (E que me desculpe Raymond Aron e todos os demais que não entendem este tipo de análise política!)
(O autor escreve segundo a antiga ortografia)
("Até às eleições" é o mote para uma sequência de artigos de opinião, de segunda a sexta-feira, de Duarte Mexia (duarte.mexia@gmail.com), que serão publicados, precisamente, até à realização das próximas eleições Legislativas, marcadas para 10 de março.)