Metade dos restaurantes já despediu desde o início da pandemia, 19% reduziram em mais de 50% os postos de trabalho a seu cargo e 20% assumem que não vão conseguir manter todos os postos de trabalho até ao final do primeiro trimestre de 2021, segundo o inquérito mensal da AHRESP, referente ao mês de dezembro, realizado pela Nielsen. A AHRESP defende uma nova linha de apoio para ajudar a mitigar as perdas do sector de restauração, similares e do alojamento turístico, composto por 120 mil empresas com 400 mil postos de trabalho diretos.
O relatório de dezembro surge em véspera de entrada do país em confinamento e do fecho da restauração que poderá apenas funcionar através do regime de take away e entregas em casa e revela um sector em dificuldades. Em dezembro, 56% das empresas registaram perdas acima dos 60%, levando a que 39% pondere avançar para a insolvência, "dado que as receitas realizadas e previstas não permitirão suportar todos os encargos que decorrem do normal funcionamento da sua atividade", realça a AHRESP. A começar por salários: cerca de 13% não conseguiu efetuar o pagamento dos salários em dezembro e 18% só o fez parcialmente.
Na restauração, 43% das empresas referem que o setor só deverá começar a recuperar em 2022, e 35% que será a partir do 2º semestre de 2021, com o início do verão.
No alojamento turístico, onde 20% das empresas indica estar com a atividade suspensa, o cenário não é mais animador. Em dezembro, das empresas em funcionamento 43% indicou ter tido nesse mês uma ocupação máxima de 10%. "Para o mês de janeiro e fevereiro, 40% das empresas estimam uma taxa de ocupação zero, e 36% das empresas perspetivam uma ocupação máxima de 10%", refere o inquérito da AHRESP. E apenas 12% indicaram terem reservas para a Páscoa.
As quebras de faturação em dezembro foram igualmente significativas, com 61% a registar perdas acima dos 80%. "Como consequência da forte redução de faturação, 24% das empresas não conseguiram efetuar pagamento de salários em dezembro e 8% só o fez parcialmente", indica a AHRESP.
Desde o início da pandemia, um terço das empresas já despediu trabalhadores. Destas, 32% reduziram em mais de metade os postos de trabalho a seu cargo e 10% assumem que não vão conseguir manter todos os postos de trabalho até ao final de março.
Mais de um terço (38%) acredita que o setor só deverá começar a recuperar em 2022, e 37% indicam que será a partir do 2º semestre de 2021, com o início do verão.
Novas medidas de apoio
"Face à situação dramática que assola as empresas da restauração e similares e do alojamento turístico, é urgente a adoção de medidas específicas e excecionais para a Proteção das Empresas e do Emprego", defende a AHRESP.
As medidas passam pelo reforço das tesourarias com a atribuição de apoio a fundo perdido através do programa Apoiar.PT, aumentando a intensidade de apoio nas micro, pequenas e médias empresas, o mesmo passaria pela atribuição às empresas com uma quebra mínima de 15% no quarto trimestre de 2020 face ao trimestre homólogo de 2019, de um montante de 15 mil euros para microempresas, de 80 mil para pequenas empresas e 180 mil euros para médias empresas.
A AHRESP defende igualmente um apoio à manutenção do emprego, com o apoio a 100% dos salários dos trabalhadores (sem limites de quebras de faturação), e isenção a 100% da TSU, bem como um apoio a fundo perdido ao pagamento de rendas, com o reforço do programa Apoiar Rendas, nomeadamente com o apoio a 100% do valor das rendas nos meses de janeiro e fevereiro.