Têxtil. Metade das empresas admite fazer cortes de pessoal

Exportações caíram 17,43% nos primeiros seis meses do ano, o que representa menos 466 milhões de euros exportados face ao período homólogo
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Mais de metade das empresas do sector têxtil e do vestuário registaram uma quebra superior a 30% do seu volume de negócios entre abril e julho e as perspetivas para o resto do ano "não são muito melhores", já que 46% acredita que terminará o ano com uma redução de vendas acima dos 30%. Os dados são dos mais recente inquérito realizado pela Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP) aos seus associados e que mostram que metade dos inquiridos acreditam que terão de reduzir o número de empregados, sendo que cerca de um quarto dos empresários apontam para um corte da sua força de trabalho superior a 10%.

O inquérito, realizado na última quinzena de julho, "abrangente e representativo" dos vários subsectores da fileira, contou com 153 respostas, adiantou ao Dinheiro Vivo o presidente da ATP, que se mostra preocupado com os números, já que, aos 51% dos inquiridos com quebras superiores a 30%, se juntam mais 24% com reduções de faturação de 10 a 30%. "Isto mostra que 75% das empresas continuam a ser fortemente afetadas e, embora os números denotem alguma melhoria face ao inquérito anterior, é o mesmo que se dizer que em vez de se morrer afogado em três metros de profundidade se morre em dois. Continuamos a estar muito longe de não morrermos afogados", diz Mário Jorge Machado.

A volatilidade que caracteriza o atual momento não ajuda. As expectativas face à retoma estão "muito difusas e incertas", com 80% das respostas a apontaram para um retoma inferior a 60% no mês de setembro. E nas previsões para o final do ano, além dos 46% dos inquiridos que esperam uma quebra superior a 30% há 41% de empresas que apontam para valores de perdas entre os 10 e os 30%. "Os restantes 13% estão muito ligados a quem está a trabalhar nos equipamentos de proteção individual (EPI) e as próprias exportações mostram-no. Mas é importante deixar bem claro que esta nova área de negócio, a que muitas empresas se têm vindo a dedicar, não é suficiente para suportar a indústria têxtil nacional. Não há procura de EPI capaz de sustentar 130 mil pessoas, servirá para ocupar 10% ou pouco mais", sublinha Mário Jorge Machado.

O fim do lay-off simplificado é "uma das principais preocupações" dos empresários, atendendo às "fracas perspetivas" de retoma. Pedem "mais rapidez, simplificação e menos burocracia" nas medidas de apoio, bem como a criação de um mecanismo de apoio para empresas com quebras de atividade ou faturação a partir de 20%, além de "mais incentivos ao investimento" em áreas como a modernização e a internacionalização. No Portugal 2020, a ATP reclama pagamentos "mais rápidos", mas, também, um "aumento da comparticipação" ao investimento e do "incentivo a fundo perdido". A análise e aprovação das candidaturas deve ser "mais célere", bem como prorrogados os prazos de implementação dos projetos de investimento.

Já a nível fiscal, a indústria têxtil pede a redução da TSU e do IRC, entre outros, "sobretudo para empresas mais afetadas". Quer, ainda, as linhas de crédito reforçados bem como uma "política de seguros de crédito à exportação adaptada à realidade", sem esquecer "uma maior flexibilização" no pagamento de dívida a médio prazo.

Refira-se que os dados das exportações da fileira mostram que, nos primeiros seis meses do ano, a indústria têxtil e do vestuário exportou bens no valor de 2.208 milhões de euros, o que representa uma quebra de 17,43% face a igual período do ano passado. São menos 466 milhões de euros do que no primeiro semestre de 2019. Só no mês de junho a queda foi de 14,3%, num total de 355 milhões exportados.

* Informação atualizada às 16h15 com dados sobre as exportações

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