A corrida entre o comboio e o autocarro de Lisboa ao Porto

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Há uma grande diferença entre a ferrovia e a rodovia nas viagens Lisboa-Porto. A primeira, fazendo parte da aposta anunciada pelo Governo de Costa e que Pedro Nuno Santos garantia ser prioritária para o país, desde 22 de abril de 2007 (como damos conta nesta edição) não mudou em nada a oferta de lugares - e não se pense que a culpa é da procura, porque a taxa de ocupação diária dos comboios da CP está acima dos 70% e, à sexta-feira, tem quase lotação esgotada. Já na opção por estrada, as vias melhoraram bastante, principalmente as autoestradas, e a aposta das empresas transportadoras ao longo destes 15 anos tem sabido acompanhar as necessidades dos passageiros. Em boa verdade, os preços baixos e a crescente oferta de rotas tornam esta numa opção competitiva.

É certo que a culpa não é só de Costa. Já vem de anteriores governos, ainda que durante o período da troika se possa justificar, em grande medida, que fosse dada prioridade às despesas correntes. Acontece que, numa altura destas, a discussão já não deveria ser em torno do número de ligações entre as duas principais cidades, mas sim na alta velocidade, como alternativa que, de facto, nos leve até mais longe, por linhas ibéricas. Os investimentos nas infraestruturas ferroviárias, previstos até 2030, são essenciais para o desenvolvimento do país.

Apesar dos argumentos da CP, de segurança e de maior conforto, e um outro, muito importante nos dias de hoje, de sustentabilidade, os comboios estão a deixar-se ultrapassar por autocarros, que também eles já acrescentam argumentos fortes à sua oferta, que passam principalmente pela comodidade.

Neste aspeto, os preços competitivos, com tarifas dinâmicas em muitos casos, tornam a opção rodoviária mais viável para muitos passageiros. O aumento da inflação e a consequente perda de poder de compra explicam a subida da procura por opções mais baratas que sirvam a mesma necessidade. E à boleia disso, aumenta a oferta destas ligações.
A Linha do Norte não está esquecida pelos passageiros, apesar do desinvestimento ao longo destes 15 anos. Priorizar a mobilidade é transformador para um país.

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