Os efeitos da pandemia do ponto de vista da saúde mental e do bem-estar são muito preocupantes. O combate às doenças mentais e o equilíbrio emocional dos portugueses deve constituir uma prioridade de saúde pública, agora e após a pandemia. Se não formos proativos a endereçar este problema, o custo futuro para os portugueses poderá ser de dimensões tão relevantes como o da atual pandemia.
Portugal tem um histórico preocupante neste domínio, e a crise provocada pela covid pode exponenciar uma tendência já de si muito negativa. O relatório Health at a Glance 2018, da Comissão Europeia, destaca Portugal como o quinto país da União Europeia com mais casos de doenças mentais. O documento revela que os problemas mais comuns são depressão e ansiedade e 18,4% da população sofre de doença mental.
O estigma social é um dos principais entraves ao tratamento, sendo que a baixa escolaridade tem também forte impacto no seu desenvolvimento. Sem prevenção e tratamento adequado, as doenças mentais podem (e estão a) ter um efeito profundo na vida das pessoas.
Estes dados revelam a importância do investimento no autoconhecimento e demonstram que o desenvolvimento pessoal pode alterar a trajetória de vida, da mesma forma que é fundamental o investimento na aprendizagem de conhecimento com o objetivo da realização pessoal e profissional.
Uma das prioridades da Fundação José Neves, explícita no seu quarto pilar, é precisamente despertar a consciência individual dos portugueses para o equilíbrio entre as dimensões intelectual e espiritual do conhecimento, fortalecendo desta forma o lado humano, moral e ético do cidadão.
Vivemos numa sociedade cada vez mais complexa, exigente e pressionada, onde muitas pessoas se sentem "desconectadas". Queremos ajudar a reforçar o autoconhecimento. Sabermos explorar o desenvolvimento pessoal, aproveitarmos o máximo das nossas potencialidades e reconhecer o limite das capacidades são ferramentas valiosíssimas para a vida plena e feliz, e também chave para podermos ter um impacto positivo na sociedade e na vida de todos aqueles que nos rodeiam.
Para ultrapassar este tabu na sociedade portuguesa, vamos em 2021 lançar um programa que vai permitir aos portugueses promoverem o seu bem-estar e equilíbrio emocional. Uma ferramenta e plataforma baseada em ciência que combina tecnologia e psicologia, e que irá promover a ligação entre as pessoas e a partilha de experiências de uma forma enriquecedora e motivadora. Um programa digital à distância de um clique.
Acreditamos que este é um tema muito importante já e que no pós-pandemia vai ser ainda mais.
No Reino Unido, o Presidente do Royal College of Psychiatrists afirmou que muito provavelmente a covid é a maior ameaça à saúde mental desde a segunda guerra mundial. Estamos de facto perante uma guerra, para a qual partimos em desvantagem e por isso teremos, enquanto país, de ser muito determinados para podermos vencer. A FJN quer contribuir para esta fundamental batalha para uma sociedade equilibrada e feliz.
Presidente Executivo da Fundação José Neves e membro do Conselho Europeu de Inovação (EIC)