A disrupção no setor automóvel

Publicado a

O setor automóvel vive atualmente um momento ímpar na sua história, com vários processos de caráter disruptivo em curso. Assistimos, todos os dias, a uma revolução em toda a cadeia de valor que vai desde os fabricantes de automóveis aos consumidores, dos processos de produção aos modelos de comercialização e dos produtos à tipologia de cliente final.

Também o processo de eletrificação dos veículos, necessário para o cumprimento dos objetivos ambientais, comprovou a necessidade de abrir espaço para a introdução de alternativas a esta solução, num esforço alavancado, também, pelas altas instâncias políticas.

Este estado de consciência leva-nos a acreditar que é possível a descarbonização do setor automóvel, através de uma transição equilibrada para uma mobilidade sustentável, se forem colocados como vetores energéticos essenciais, os Combustíveis de Baixo Carbono, a par da eletricidade e do hidrogénio.

A título de exemplo, a Plataforma para a Promoção dos Combustíveis de Baixo Carbono (PCBC), da qual a ANECRA é um dos membros fundadores, tem como objetivo a sensibilização dos principais players do mercado e, principalmente, do Governo que é parte determinante para viabilizar e garantir uma descarbonização sustentável nos seus três pilares: Segurança do Sistema Energético, Ambiental e Social.

A PCBC pretende uma transformação energética duradoura e inclusiva que contribua, de forma ativa e transparente, para a transformação dos sistemas de energia e transporte, oferecendo conhecimento quanto às tecnologias de baixo teor de carbono, como suporte à ambição climática da União Europeia, mas também relativamente às necessidades sociais e económicas dos consumidores.

Tendo em conta a importância do setor automóvel, todas políticas que apoiarem esta transição são bem-vindas: segundo publicação de BPstat do Banco de Portugal, havia em 2021, mais de 17.000 empresas no setor, com volume de negócios superior a 26.700 milhões de euros, empregando mais de 125.000 pessoas.

No que concerne ao seu papel e dimensão na Economia do país, nomeadamente em sede de Receita Fiscal, o setor automóvel é, há muitos anos, o que que mais contribui, garantindo cerca de 20% do total das receitas Fiscais do Orçamento de Estado. Tendo em conta a sua importância, as várias entidades devem trabalhar de forma a garantir a sua exequibilidade.

Presidente da Direção da ANECRA, Associação Nacional das Empresas do Comércio e da Reparação Automóvel

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt