"A distribuição tem a faca e o queijo na mão"

Publicado a

Com os dados do retalho a mostrar que os portugueses se centram, cada vez mais, na compra, apenas, de produtos essenciais e que até as marcas brancas crescem menos, o Dinheiro Vivo pediu ao presidente da Centro Marca que comente os números da Nielsen.

As marcas de fabricantes parecem estar a recuperar vendas. A que se deve a situação?Continuam a perder terreno, apenas a um ritmo menor. E nem outra coisa seria de se esperar. Não mudou nada de substancial no mercado. O diferencial de preços brutal entre as marcas de distribuição e as de fornecer continua.

O preço não é definido pelo produtor?Não. Quem define as margens é quem marca o preço: o dono da prateleira. Tem a faca e o queijo na mão. Quem paga isso são as marcas de fabricante, que têm de pagar para entrar na cadeia, têm de pagar os custos associados às promoções e renovações das lojas, têm de pagar a localização do produto na prateleira.

Os produtos de marca branca não são, à partida, mais baratos?Não. Para produtos de qualidade equivalente, os preços não são muito diferentes, à partida.

As marcas brancas e de fabricante não são produzidas pelas mesmas empresas?Não. Esse é um mito que a distribuição perpetua, colocando sinais exteriores muito parecidos nas embalagens para confundir o consumidor. Há fornecedores especializados na produção desse tipo de artigos e as cadeias fazem leilões de produtos com caderno de encargos. E o consumidor nunca consegue saber qual é a fábrica de onde vem o artigo, quando muito sabe que foi fabricado na UE.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt