A educação ao longo da vida e para as competências do futuro é uma urgência!

Publicado a

A evolução civilizacional aconteceu sempre alavancada na aplicação de conhecimento e de novas tecnologias à resolução de problemas da sociedade. A transição para o digital e a cada vez maior consciencialização para a importância da sustentabilidade tem um impacto relevante nas nossas vidas e na forma como nos desenvolvemos enquanto indivíduos e sociedade.

O conhecimento é a chave para aumentar a competitividade das nações. Uma população com melhor educação e qualificação tem impacto fundamental no desenvolvimento económico e social do país.

As rápidas e profundas transformações a que assistimos, ainda mais aceleradas com a pandemia, estão a alterar o perfil das competências necessárias para os empregos do futuro - por um lado têm tornado alguma funções e competências obsoletas, e por outro criam novas funções e empregos que irão requerer um novo mix de competências e em alguns casos novas competências.

Portugal tem de preparar-se hoje para enfrentar estas mudanças. A educação para as competências do futuro é crucial, e não poderá ser feita apenas utilizando as receitas do passado, nem apenas quando o problema for totalmente evidente. Se aí chegarmos, mais uma vez vamos chegar tarde e hipotecar o futuro do país e dos portugueses.

Os sistemas de educação e formação de todo o mundo estão a evoluir de forma a serem mais ágeis para responderem aos novos desafios e garantirem a formação dos cidadãos para as novas competências e para uma educação contínua e ao longo da vida.

Portugal é o país, entre 34 analisados no relatório Getting Skills Right da OCDE, que mais urgência tem em preparar o seu sistema de aprendizagem ao longo da vida, no qual actualmente apenas 10,5% dos portugueses adultos participam.

É assim necessária uma agenda urgente para as competências, com uma forte aposta na reconversão das pessoas para as apoiar na adaptação aos seus empregos atuais e aos novos empregos.O evento Building the Future, que este ano teve como parceiro a Fundação José Neves, responsável pela curadoria do Edu Day, um dia totalmente dedicado à educação, lançou o desafio de "Ativar Portugal" para os desafios da inovação tendo em vista o desenvolvimento do país, e na qual a educação terá forçosamente de ter um papel determinante.

Os grandes desafios que temos pela frente passam por fazer evoluir os nossos sistemas de ensino e aprendizagem para que possam rapidamente incorporar formação para as competências de futuro, em formatos ágeis e de curta duração, e mais focados em competências, para que possamos ter um modelo de educação ao longo da vida que permita uma aprendizagem contínua.

A Fundação José Neves quer contribuir para que Portugal se torne numa Sociedade do Conhecimento, em que a educação e as competências sejam a base de um futuro individual e colectivo mais risonho. Para tal, disponibilizamos os primeiros dois programas da Fundação, com o objectivo de ajudar os portugueses a tomarem as melhores decisões para o seu futuro pessoal e profissional, através do ISA FJN, que dá acesso à educação para as competências, e do Brighter Future, um portal único que permite o acesso a factos e dados sobre Educação, Competências e Empregabilidade.

Um mundo que evolui a alta velocidade exige aos cidadãos uma permanente atualização do conhecimento.

Bem sei que, quando Portugal não está sequer preparado para colocar temporariamente os seus alunos em ensino remoto à distância, estas preocupações podem parecer descabidas. Mas a questão é simples. Ou nos preparamos hoje para esse futuro que não espera ou estaremos a hipotecar as próximas gerações, e não será ainda desta que voltaremos a inscrever Portugal no mundo.

Carlos Oliveira, Presidente Executivo da Fundação José Neves e membro do Conselho Europeu de Inovação (EIC)

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt