A educação ao longo da vida tem de ser o novo normal

Publicado a

As rápidas e profundas transformações que a sociedade, as empresas e o mundo enfrentam estão a acelerar o surgimento de um elevado número de novas profissões que requerem novas competências. O mundo está a mudar rapidamente e Portugal e os portugueses têm de preparar-se hoje para estas mudanças.

Se tivéssemos de apostar apenas numa opção para acompanhar esta tendência imparável, apostaria na educação para as competências do futuro. Portugal tem percorrido um caminho assinalável. Basta recordar que a taxa de literacia no país subiu de 71% em 1970 para 96% em 2018. Mas para que nos possamos destacar como país que se desenvolve a um ritmo elevado, permitindo aos seus cidadãos terem um futuro melhor, este progresso não é suficiente.

Dados do INE mostram uma realidade muito longe das ambições para que Portugal seja uma sociedade do conhecimento. Há uma clara falta de qualificações entre a população adulta - 47,8% dos portugueses entre os 25 e os 64 anos não tem o ensino secundário completo. É o pior resultado entre os membros da União Europeia, o que demonstra que há ainda muito por fazer para termos um país educado e preparado para o futuro.

É crucial o reforço da aposta na educação para as competências do futuro e ao longo da vida.

Os sistemas de educação e formação de todo o mundo terão que mudar de paradigma de forma a serem mais ágeis para responderem aos novos desafios e garantirem a formação dos cidadãos para as novas competências. E isso passa também por atrair adultos a participarem em formação, número esse que teima em manter-se muito baixo.

O INE demonstra que só 10,5% dos portugueses adultos participaram em alguma formação durante o ano de 2019. O relatório da OCDE Getting Skills Right revela que, num conjunto de 34 países, Portugal é aquele que tem mais urgência em preparar o seu sistema de aprendizagem ao longo da vida.

A educação ao longo da vida terá de ser o novo normal. Porque um mundo que muda a alta velocidade exigirá aos cidadãos uma permanente atualização do conhecimento.

É necessária uma forte aposta na reconversão das pessoas (reskilling) para as apoiar na adaptação aos seus empregos e aos novos empregos. É crucial apoiar as pessoas na aquisição das competências que serão mais solicitadas (upskilling).

O grande desafio da maioria das nações e de cada um de nós enquanto indivíduos é antecipar o futuro e acompanhar as necessidades deste mundo global, interligado e cada vez mais digital.

A FJN está a trabalhar nestas frentes em parceria com muitas entidades, seja através dos ISA, que dão acesso à educação para as competências, seja através do Brighter Future, que permite o acesso a dados sobre Educação, sobre Competências e Empregabilidade, para permitir aos portugueses tomarem as melhores decisões para um futuro melhor.

Presidente Executivo da Fundação José Neves e membro do Conselho Europeu de Inovação (EIC)

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt