A fortuna que é ser adepto do Düsseldorf

Clube anuncia jogos da segunda divisão alemã grátis no seu estádio em 2023-24. Medida revolucionária? Jogada arriscada demais? Especialistas analisam.
Publicado a

O Fortuna Düsseldorf decidiu deixar de exigir dinheiro pelos bilhetes de parte dos seus jogos na próxima temporada como forma de aproximar os adeptos a um clube que chegou a ser temido na Alemanha e na Europa mas está hoje na segunda divisão. Segundo os seus dirigentes, os custos da medida serão cobertos por patrocinadores.

"Chamamos o programa de 'Fortuna Para Todos', o que nos levará a um futuro de sucesso", anunciou Alexander Jobst, CEO do clube. "O Fortuna continua a ser um clube que pertence a amigos e sócios, temos a responsabilidade de estabelecer as bases para um futuro de sucesso, essa foi a nossa bússola".

Stephan Keller, presidente da câmara de Düsseldorf, acredita que o clube "pode estar a iniciar uma potencial revolução".

Ouvidos pelo Dinheiro Vivo, especialistas, basicamente, elogiam. "As receitas de bilheteira representam cerca de 10% do faturamento dos clubes", lembra Fernando Patara, cofundador e Head de Inovação do Arena Hub. "Mas o mais importante é como o clube está a construir a sua imagem de marca independente do produto futebol, a sua perceção de valor transcende o investimento inicialmente feito, pois torna-se longa e duradoura".

Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports, adverte que "a ideia é pioneira" mas, na prática, "pode não ser eficaz".

"É uma ação que pode proporcionar que novos perfis de público se relacionem com o clube, com estádio lotado e boa atmosfera, sem ter prejuízo financeiro num universo tradicional como o de ticketing", acrescenta Bruno Brum, CMO da Agência End to End.

"É algo raro de se ver, porém reforça que o futebol é uma área com infinitas possibilidades, iniciativas assim podem criar uma admiração maior do clube e das marcas junto à comunidade e, com certeza, será a primeira oportunidade de muitas pessoas irem pela primeira vez ao estádio", analisa Rogério Neves, CEO da Motbot.

Renê Salviano, especialista em marketing desportivo e CEO da Heatmap, avalia que "uma partida de futebol tem custos altos em segurança, limpeza, abertura de portões". "O fã deve ser sempre o centro de uma instituição mas com ações pontuais bem pensadas para nunca virar prejuízo futuro para a instituição".

O Fortuna teve média de público de quase 30 mil na segunda divisão esta época. A Bundesliga, primeira divisão alemã, é a liga de futebol mais assistida do mundo, com mais de 42 mil em média por partida.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt