A frieza germânica e o calor do OE2023 

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A gasolina em Portugal é uma das mais caras da União Europeia. Particulares e empresários queixam-se dos aumentos consecutivos nos combustíveis. 11,5 cêntimos no gasóleo e 7 cêntimos na gasolina são as subidas estimadas para segunda-feira. Não há quem aguente pagar tamanhas faturas, que são cada vez mais gordas. Na eletricidade e no gás, mas também nos alimentos e nas prestações de crédito à habitação, a conta mensal não para de subir. Os portugueses têm vindo a perder poder de compra mês após mês e as empresas perdem competitividade, comprometendo o seu futuro.

A descida da capacidade de aquisição de bens e serviços já vem do ano passado e os aumentos de rendimentos que deverão ficar, no público e no privado, abaixo da previsão de inflação para 2022 e 2023 podem comprometer uma das alavancas do crescimento dos últimos anos: o consumo privado.

No mesmo dia em que vão voltar a subir os combustíveis, será entregue na Assembleia da República o Orçamento do Estado para 2023. O documento ainda não viu a luz do dia, mas a oposição tem vindo a apresentar críticas às intenções do governo e ao quadro macroeconómico revelado ontem pelo executivo, bem como a propor várias medidas para fazer face à economia de guerra e a uma crise que está mais do que anunciada para 2023.

Mesmo que Portugal não entre em recessão no próximo ano, vai, naturalmente, sofrer um contágio negativo da parte de outros mercados europeus com os quais se relaciona comercialmente, como é o caso da Alemanha. São várias as instituições que confirmam esta previsão, onde se inclui o próprio Bundesbank.

O inverno vai ser duro para a economia alemã devido à escassez de fornecimento de energia causada pela guerra na Ucrânia. Sendo aquele país o motor industrial da Europa, podemos vir a assistir ao gripar da máquina germânica e não ficaremos imunes aos efeitos colaterais disso.

As expectativas das famílias e dos empreendedores estão agora depositadas em algum sinal de esperança que possa constar no documento do OE 2023. Além da meta das contas certas que rege o governo e da previsão de um crescimento económico de 1,3% e um défice que não vá além dos 0,9%, os eleitores aguardam sinais positivos por parte do governo em termos fiscais. Aliviar o IRS bem como o IRC são medidas em cima da mesa e que não ficarão, certamente, de fora da equação. O país agradece!

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