São designadas de soft skills as competências não técnicas como a capacidade de comunicação, de criação de empatia e confiança com as pessoas, capacidade de resiliência ou de trabalho em ambiente de incerteza. A célebre frase de recrutamento dos anos 90 está relacionada com o facto de ser mais simples formar as pessoas dentro das empresas nas competências técnicas, do que fazê-lo nas competências atitudinais, e isto porque estas últimas dependem de diversos factores tais como maturidade, inteligência emocional, experiências de vida, historial familiar.
Ou seja, estas competências estão enraizadas no indivíduo, afectam toda a sua vida quer no âmbito pessoal ou profissional, e são desta forma mais resistentes à mudança pois são padrões, traços da nossa personalidade que foram sendo aprendidos e cristalizados ao longo de anos. Por vezes a sua origem remonta a defesas que foram criadas face a ambientes familiares hostis ou situações concretas decorridas na infância, sendo hoje utilizadas de forma inconsciente.
A vida atual nas empresas decorre a um ritmo frenético, num ambiente de constante mutação, tornando ainda mais vitais estes traços. Desta forma, não sendo novo o tema, ele é cada vez mais pertinente. O planeamento a longo prazo deu lugar à necessidade de reinvenção constante, ao uso da criatividade diariamente, à total interdependência e conectividade das pessoas.
A alteração ou trabalho ao nível das soft skills apresenta um nível de dificuldade superior aos das características técnicas, mas não é impossível. Engloba uma fase inicial de tomada de consciência das atitudes a desenvolver, a definição de um plano de ação e o uso de determinação na prossecução diária dos objetivos. O apoio profissional (através por exemplo de sessões de coaching) é determinante sobretudo para a tomada de consciência e identificação do plano de ação.
Por Luísa Agante, Professora do The Lisbon MBA