A Lego tem uma rede social: Lego Life chega a Portugal em 2018

Em quebra de receitas, a marca dinamarquesa dá novos passos no mundo digital. Rede social Lego Life é a uma forma de fazer a ponte com o futuro
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O Lego Boost já é um dos brinquedos favoritos dos filhos de Rob Lowe. O set, uma espécie de kit de robótica para principiantes, ensina os mais novos a dar os primeiros passos no mundo do código. Junta o melhor de dois mundos: as crianças usam as peças Lego para construir robôs que, depois de algumas linhas de código, se mexem. “Tem tido um desempenho fantástico. É um dos favoritos dos meus filhos. Eu envolvo-me bastante [na brincadeira], não porque sou necessário mas porque quero”, conta humorado o senior global director da Lego Life.

A rede social lançada em janeiro é, juntamente com o set da Lego Boost, a mais recente incursão da marca dinamarquesa de brinquedos no mundo digital. E não tarda vai chegar a Portugal. “Já estamos em 25 países e temos Portugal na nossa lista para o próximo ano”, revela Rob Lowe.

“Está a correr muito bem. Tivemos cerca de três milhões de descarregamentos [da aplicação], 700 mil utilizadores registados, 1,5 milhões de publicações de criações feitas por miúdos. Para mim esse é o número mais importante: termos inspirado mais de um milhão de construções que não teriam acontecido se não tivéssemos criado esta plataforma”, descreve o responsável da Lego Life, rede social dirigida a crianças até 13 anos.

“O objetivo é incentivar os miúdos a construir usando a sua imaginação, mais do que seguir apenas as instruções de construção. Quando chegam aos 8/9 anos, as crianças têm o desejo de partilhar essas ideias com outros miúdos, para lá dos seus vizinhos e da família, e foi para isso que lançámos a Lego Life”, justifica.

Rob Lowe não olha para este universo digital criado pela marca dinamarquesa como uma substituição do mundo físico de construção pela qual a Lego ficou conhecida mas que está a dar sinais de derrapar. Em setembro, a Lego anunciou o despedimento de 1400 trabalhadores, depois de ter apresentado até junho, e pela primeira vez numa década, uma quebra de 5% das receitas, para 14,9 mil milhões de coroas dinamarquesas, sofrendo com a quebra de vendas na Europa e nos Estados Unidos.

“O nosso foco principal é criar os melhores sets de Lego e penso que podemos continuar a fazer um trabalho ainda melhor introduzindo inovação em torno da construção dos objetos físicos”, diz Rob Lowe. “O digital é muito importante, mas é uma forma de inspirar os miúdos a construir.”

Nem a Lego Life foi criada a pensar em impulsionar a primeira venda da Lego junto das crianças. “Sabemos que não estamos a impulsionar a primeira compra de Lego, mas no sentido de mantermos as crianças interessadas em usar cada vez mais as suas peças, está certamente a fazer um excelente trabalho”, considera.

Restrições geram criatividade

Juntamente com a criação de uma rede social para crianças vem uma grande responsabilidade. “Com a marca Lego vem uma grande expectativa dos pais sobre o que vamos fazer. Criamos a experiência de forma a garantir que os miúdos são anónimos e que todo o conteúdo produzido pelo utilizador é moderado”, descreve Rob Lowe.

Na Lego Life os jovens utilizadores não são identificados nem podem usar os seus nomes reais, em vez disso a Lego atribui-lhes nomes fictícios através de um gerador aleatório de nomes. Não podem usar fotografias que os identifiquem, mas usar um miniavatar com uma figura da Lego. Ao comentar as publicações de outros utilizadores, as crianças só podem usar emoticons, e moderadores como o Batman Lego monitorizam o que está a ser publicado em cada um dos países onde a rede social está presente, evitando-se questões de falhas de interpretação cultural.

“É importante criar uma atmosfera positiva e dar reforços positivos em vez de abrir as portas para qualquer tipo de criticismo ou excesso de negatividade. Por isso é que somos muito cuidadosos nas áreas em que permitimos que os miúdos comentem de forma aberta”, justifica Lowe.

Restrições que não parecem estar a funcionar contra a rede social. Pelo contrário. “Pensámos que iria limitar a acessibilidade da plataforma, mas não foi o caso. Os pais sentem-se mais confortáveis, porque têm de aprovar o registo dos filhos, e nós moderamos tudo. E os constrangimentos que colocamos geram muita criatividade.”

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